Sobrevivente de ataque com 17 facadas relata processo de recomeço dez anos após crime em Ribeirão Preto
Miriam Maria da Silva detalha como enfrentou traumas físicos e psicológicos após sofrer ataque do ex-companheiro em 2016.
Por Redação Diário Local
Miriam Maria da Silva, de 49 anos, relata o processo de reconstrução de sua vida dez anos após sobreviver a um ataque com 17 facadas desferidas pelo ex-companheiro em Ribeirão Preto (SP). O crime ocorreu em julho de 2016, quando ela tinha 39 anos.
O ataque resultou em uma perfuração no pulmão, o ferimento considerado mais grave, o que exigiu uma semana de internação hospitalar e a necessidade de reposição de sangue. Após a alta médica, o desafio passou a ser emocional, com o enfrentamento de pesadelos, medo e a necessidade de acompanhamento psicológico e psiquiátrico.
Durante o período de convivência com o agressor, Miriam relata que o relacionamento não era saudável, marcado por discussões frequentes motivadas por questões financeiras e comportamentais. Ela afirma que os sinais de alerta — como a primeira agressão física e palavras altas — já estavam presentes antes da violência escalar para o ataque fatal.
Como ocorreu o ataque?
O crime aconteceu em um dia de feriado, enquanto Miriam retornava para casa após tentar comprar ingredientes para uma receita. Ao chegar na rua onde morava, ela avistou um carro parado próximo à entrada do imóvel e foi abordada pelo ex-companheiro com uma faca.
Durante a tentativa de fuga, ela sofreu uma queda na rua, momento em que o ataque ocorreu. Miriam relata que, na ocasião, seu filho ainda criança presenciou a cena e precisou se esconder para não ser atingido.
Após o episódio, o homem foi preso com base na Lei Maria da Penha, legislação que completa 20 anos em agosto. Miriam recorda que, nos meses que antecederam o crime, já sofria ameaças constantes, chegando a precisar de escolta policial para ir ao trabalho.
O processo de superação
Após o período crítico de recuperação física, Miriam destaca que a compreensão de que não era a culpada pela violência sofrida foi fundamental para o seu recomeço. Por muito tempo, ela questionou se poderia ter evitado o ocorrido, mas o tratamento psicológico e o apoio familiar ajudaram a mudar essa percepção.
A merendeira escolar afirma que hoje consegue lidar melhor com as marcas deixadas pelo trauma e que retomou sua vida pessoal, inclusive voltando a se relacionar. Ela utiliza sua história como forma de alerta para outras mulheres, reforçando que a primeira agressão é um sinal de que a violência pode se repetir.
