Suspeito de matar esposa com banco é preso após fugir por 10 meses em áreas rurais de Minas Gerais
Juares Marques dos Santos, o “Lázaro de Ermida”, vivia como nômade em zonas rurais para evitar a polícia desde 2006
Por Redação Diário Local
Juares Marques dos Santos, de 51 anos, foi preso na manhã de quinta-feira (13) em Santo Antônio do Monte, no Centro-Oeste de Minas Gerais. O homem, conhecido como “Lázaro de Ermida”, era procurado pela Polícia Civil por diversos crimes, incluindo o feminicídio da esposa, Lucélia Batista Silva, de 39 anos, ocorrido em Divinópolis em agosto de 2025.
De acordo com as investigações, o suspeito utilizava uma estratégia de mobilidade constante para evitar a localização pelas autoridades. Ele vivia de forma nômade, permanecendo poucos meses em cada cidade e escolhendo sempre áreas de mata em regiões rurais para se esconder.
Como funcionava a estratégia de fuga?
O delegado Vivalde Levilesse Ferreira Júnior explicou que o modo de vida adotado por Juares não começou após o crime de feminicídio. O comportamento de buscar refúgio em zonas rurais e mudar de cidade periodicamente vem desde 2006, quando o homem foi condenado por uma tentativa de homicídio contra uma ex-companheira.
Ao longo desses anos, o investigado passou por 12 cidades de Minas Gerais, sempre priorizando áreas de roça. Essa rotina dificultava a monitoração policial, pois impedia a criação de padrões de comportamento e aproveitava a extensão dos territórios rurais e das estradas vicinais para a circulação entre propriedades.
A operação de captura
Para localizar o suspeito, as equipes de busca intensificaram o uso de tecnologia e recursos terrestres. Foram empregados drones com sensores térmicos e câmeras instaladas em pontos estratégicos. Na véspera da prisão, policiais chegaram a percorrer 30 quilômetros a cavalo em uma região onde havia indícios da presença do homem.
Além do mandado de prisão preventiva pelo feminicídio, a Polícia Civil informou que Juares possuía outros dois mandados em aberto: um decorrente de uma condenação anterior e outro por roubo de um veículo, ocorrido em março. A polícia agora trabalha para apurar se houve auxílio de outras pessoas para mantê-lo escondido.
O crime de Divinópolis
O feminicídio que motivou o aumento das buscas ocorreu em agosto de 2025. Na ocasião, Lucélia Batista Silva foi agredida pelo marido com um banco de madeira, o que causou ferimentos graves na cabeça e exigiu hospitalização. A agressão foi presenciada pela filha mais nova do casal, que buscou ajuda com vizinhos.
Segundo a investigação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), o casal vivia junto há cerca de 15 anos. Juares já possuía um histórico de violência doméstica contra a esposa e também contra as três filhas, de idades entre 8 e 13 anos. O homem permanece à disposição da Justiça.
