Desejo por tempo livre é compartilhado por 94% dos capixabas, aponta pesquisa
Pesquisa ouviu 142 pessoas no Espírito Santo; jornada de trabalho e falta de dinheiro são os principais obstáculos para o lazer.
Por Redação Diário Local
Ter mais horas para descansar ou conviver com a família é um desejo de 94,37% dos capixabas, segundo uma pesquisa sobre tempo livre e qualidade de vida. O levantamento, realizado pela Empresa Júnior da Universidade Vila Velha (EJUVV), ouviu 142 pessoas no Espírito Santo.
Os dados revelam que a rotina dos participantes é concentrada em atividades produtivas: o trabalho ocupa 52,1% do tempo, seguido pelos estudos, com 34,51%, e pelas tarefas domésticas, com 7,75%.
A jornada de trabalho foi apontada por 31,69% dos entrevistados como o principal impedimento para ter mais disponibilidade, enquanto a falta de recursos financeiros foi citada por 27,46%.
Como seria o uso do tempo extra?
Ao serem questionados sobre como utilizariam duas horas adicionais de liberdade por dia, os participantes apresentaram diferentes preferências. A maior parcela, de 27,46%, afirmou que usaria o período para praticar atividades físicas. Em seguida, 23,24% escolheriam atividades de entretenimento, como ler ou assistir a filmes e séries.
Outros usos citados para o tempo extra incluem o descanso (19,01%), passeios ou viagens (10,56%), períodos com a família (9,86%) e estudos (9,86%).
O impacto na saúde mental
Especialistas ressaltam que o tempo livre é um componente essencial para o funcionamento do organismo. Segundo a psicóloga Clislaine Oliveira, a ausência de foco em tarefas específicas permite a ativação de redes cerebrais importantes para a consolidação da memória e o autoconhecimento.
A psiquiatra Letícia Mameri Trés reforça que o descanso é fundamental para a recuperação física e mental, não sendo o oposto da produtividade. Para o psicólogo Lucas Protti, o tempo livre também abre espaço para interações sociais e para o simples ato de "ficar à toa", sem uma finalidade produtiva imediata.
Apesar do desejo quase unânime por mais tempo, a pesquisa mostra resistência em medidas drásticas: apenas 14,08% dos ouvidos declararam que aceitariam reduzir o salário para trabalhar menos horas. Para o coordenador da pesquisa, o professor Ayrton Faier Machado, isso demonstra uma busca pelo bem-estar sem abrir mão da estabilidade financeira.
