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Clima

Vendaval no Rio de Janeiro é sinal de influência do El Niño no clima da América do Sul

Fenômeno meteorológico conhecido como frente de rajada atingiu o estado na quarta-feira (29) e pode indicar mudanças no padrão de ventos.

Por Redação Diário Local

O vendaval que atingiu o Rio de Janeiro na tarde desta quarta-feira (29) pode ser considerado um sinal da influência do El Niño no clima da América do Sul. O fenômeno, conhecido pela meteorologia como frente de rajada, caracteriza-se por uma linha de instabilidade que se desloca rapidamente.

De acordo com o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador de operação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o vendaval no estado seria uma faixa contínua de nuvens de tormentas. Essa estrutura teria se desprendido do Sul do Brasil, onde o volume de chuva registrado chegou a 300 mm em cinco dias.

No Rio de Janeiro, a velocidade do vento alcançou 81 km/h. Já no interior de São Paulo, as rajadas atingiram 124,9 km/h, índice que supera a velocidade mínima de furacões, que é de 119 km/h.

Por que o El Niño influencia os ventos?

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial. Esse processo faz com que a água mais quente evapore, aquecendo a atmosfera e alterando os jatos — canais de vento poderosos que viajam nos altos níveis da atmosfera.

Essa dinâmica altera a distribuição de umidade e a diferença de temperatura entre o Equador e o Polo. Segundo Seluchi, o fenômeno tem alterado e aumentado os ventos em parte da América do Sul, o que pode estar relacionado à frente estacionária que causou chuvas intensas no Rio Grande do Sul.

A frente de rajada, como a que atravessou o Sul e São Paulo até chegar ao Rio, costuma se deslocar de forma mais rápida do que as tempestades e as frentes frias comuns.

O fenômeno é comum no inverno?

A ocorrência de frentes de rajada é considerada rara durante o inverno. Isso acontece porque a estação apresenta baixa umidade, fator que impede a alimentação das tempestades das quais esses ventos derivam.

Embora as tempestades estejam desaparecendo no Sudeste devido à falta de umidade, quando as frentes de rajada conseguem se formar nesta estação, elas tendem a ser mais violentas, podendo ter extensões superiores a 100 quilômetros.

Apesar da intensidade, especialistas reforçam que não há previsão de que o fenômeno se torne mais frequente ou de que haverá repetição imediata de eventos dessa natureza.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.