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Segurança

Vendaval no Rio falha em alertas: ventos superaram 100 km/h apesar de previsão de 75 km/h

Autoridades afirmam que não havia indicação técnica para emitir alertas de gravidade extrema antes do fenômeno atingir o estado

Por Redação Diário Local

O vendaval que atingiu o estado do Rio de Janeiro na tarde de quarta-feira (30) pegou milhares de pessoas de surpresa ao registrar ventos acima de 100 km/h, superando as previsões de rajadas de até 75,9 km/h. O episódio levantou questionamentos sobre a rapidez e a intensidade dos alertas emitidos pelas autoridades antes da chegada do fenômeno.

Na capital, o sistema Alerta Rio, da prefeitura, havia publicado um boletim de rotina informando sobre a atuação de uma massa de ar seco e a previsão de ventos moderados a fortes. Naquele momento, a estimativa era de rajadas entre 40 km/h e 75,9 km/h. Os alertas por SMS aos moradores cadastrados só ocorreram às 16h43, quando o impacto já era visível em áreas como as praias da cidade.

Por que a previsão falhou?

A divergência entre a previsão e o ocorrido pode estar ligada às características do fenômeno e à estrutura de monitoramento. Segundo o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador de operação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Brasil possui 40 radares de alta precisão, mas apenas três estão instalados no Rio de Janeiro. Ele afirma que seria necessário o dobro desse número para uma cobertura eficiente.

Seluchi explicou que o país carece de um sistema complexo capaz de identificar rajadas de vento que não possuam nuvens ou chuva associadas. Além dos equipamentos, o especialista ressaltou a necessidade de equipes mais experientes para a análise constante de dados. O Cemaden é responsável pelos alertas de inundações e deslizamentos, enquanto o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) cuida das previsões meteorológicas.

O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que o Rio conta com 11 estações de monitoramento, sendo três da prefeitura e as demais operadas pelo Inmet e pela Aeronáutica. Segundo ele, o vendaval surpreendeu inclusive os especialistas, pois os dados das estações indicavam ventos de até 70 km/h, e não a intensidade superior a 100 km/h que foi registrada.

Protocolos de alerta e tecnologia

Sobre o uso de tecnologias de comunicação, o tenente-coronel Fábio Contreiras, porta-voz da Defesa Civil do Estado do Rio, informou que não havia indicação técnica para o uso do Cell Broadcast, sistema que envia mensagens sonoras para todos os aparelhos celulares de uma região. A tecnologia é reservada para situações de risco muito alto, com ventos acima de 76 km/h.

A Defesa Civil estadual enviou alertas por SMS e WhatsApp para diversas regiões, como a Costa Verde, o Sul Fluminense, a Baixada Fluminense e o Norte Fluminense, por volta das 15h30, após identificar rajadas de 60 km/h. A prefeitura do Rio informou que também utiliza SMS e WhatsApp para moradores cadastrados, reservando o Cell Broadcast para casos de gravidade extrema.

Para o engenheiro Gerardo Portela, doutor em Gerenciamento de Riscos e Segurança pela UFRJ, o evento reforça a importância de aperfeiçoar os protocolos. Ele defende que é preferível emitir alertas preventivos mesmo que o evento não se concretize com a intensidade prevista.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.