Vendaval com ventos superiores a 120 km/h atinge São Paulo e Rio de Janeiro
Fenômeno de frente de rajada, raro no inverno, foi influenciado pelo El Niño e registrou ventos acima da velocidade de furacões no interior paulista
Por Redação Diário Local
Fortes rajadas de vento atingiram os estados de São Paulo e Rio de Janeiro em um fenômeno meteorológico conhecido como frente de rajada. No interior de São Paulo, os ventos alcançaram 124,9 km/h, velocidade que supera o limite mínimo de um furacão, estabelecido em 119 km/h.
A frente de rajada funciona como a dianteira de uma linha de instabilidade, movendo-se de forma mais rápida que as frentes frias e as tempestades comuns. No Rio de Janeiro, os ventos registrados chegaram a 81 km/h.
O fenômeno é considerado um sinal da influência do El Niño no clima da América do Sul. Segundo o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador de operação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o El Niño está associado a sistemas que geraram chuvas intensas no Rio Grande do Sul e alteraram os ventos na região.
Por que o fenômeno ocorreu?
O El Niño caracteriza-se pelo aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial, o que provoca a evaporação de água, aquece a atmosfera e altera os jatos — canais de vento em altos níveis da atmosfera. Isso muda a distribuição de umidade e aumenta a diferença de temperatura entre o equador e o polo, gerando ventos mais poderosos.
De acordo com o Cemaden, o El Niño tem braços longos capazes de atravessar o continente. Além das rajadas de vento, o fenômeno tem provocado nevascas nos Andes e chuvas fortes no Chile, características de sistemas acoplados.
A ocorrência de frentes de rajada é considerada rara durante o inverno. Isso acontece porque a estação é mais seca e costuma ter menos umidade para alimentar as tempestades das quais esses ventos derivam.
Apesar da escassez de umidade, quando as frentes de rajada se formam no inverno, elas costumam ser mais violentas. O fenômeno pode atingir mais de 100 quilômetros de extensão e varrer seu caminho com grande impacto.
Por serem fenômenos menores que as frentes frias comuns, as frentes de rajada são de difícil previsão. Segundo Seluchi, nenhum modelo meteorológico consegue reproduzir a intensidade e os locais exatos de impacto com precisão absoluta.
Qual é a previsão do tempo?
Apesar da intensidade dos ventos registrados, não há previsão de chuva significativa pela passagem dessa frente no Sudeste. O professor de meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Wallace Menezes, explicou que o tempo deve voltar a abrir no fim de semana (02).
Cientistas ressaltam que, até o momento, não há previsão de que o fenômeno se repita nos próximos dias ou de que se torne mais frequente.
