Imagens de câmeras corporais mostram PMs atirando em jovem com mãos à mostra em Paraisópolis
Gravações de câmeras corporais registram o momento em que Igor Oliveira de Moraes Santos é baleado com as mãos visíveis durante operação policial.
Por Redação Diário Local
Novas imagens das câmeras corporais dos policiais militares envolvidos na morte de Igor Oliveira de Moraes Santos mostram o detalhamento da ação que terminou com o jovem baleado durante operação em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. Os vídeos registram o momento em que Igor aparece rendido, com as duas mãos visíveis, sem apresentar resistência ou movimentos bruscos antes de ser atingido.
As gravações mostram que, segundo a dinâmica registrada, o segundo disparo foi efetuado por outro policial quando o jovem já estava neutralizado. As imagens também captam conversas em voz baixa entre os agentes após os disparos, em pelo menos três momentos diferentes.
O que diz a Polícia Militar
A Polícia Militar informou que os agentes não tinham conhecimento de que as câmeras estavam ligadas no momento das conversas sussurradas. O sistema utiliza um modelo de câmeras corporais cuja gravação deve ser acionada manualmente, mas que, uma vez iniciada por um aparelho, conecta-se via bluetooth às demais em um raio de 20 metros.
O coronel Emerson Massera, chefe da comunicação da PM, afirmou que a ação foi ilegal. De acordo com o comando, a operação iniciou de forma legítima, mas os disparos foram efetuados contra o homem quando este já estava rendido, sem que houvesse justificativa para o uso da força.
Divergência nos relatos
As imagens contrastam com o relato dado pelos policiais a um superior hierárquico logo após o ocorrido. Na ocasião, os agentes alegaram que o jovem teria feito movimentos para buscar algo atrás de uma cama, mencionando inclusive a visualização de um cabo de madeira.
Contudo, as gravações mostram que os suspeitos estavam com as mãos à mostra no momento em que Igor foi baleado. Além do jovem, outros três homens foram presos na residência durante a ação do 16º Batalhão da Polícia Militar (BPM), sendo que dois deles não possuíam antecedentes criminais.
Recurso da família
Os advogados que representam a família de Igor, Gabriela Amoras Silva, Jonatha Carvalho Matos e Wilson Zaska, recorreram da sentença de absolvição dos autores dos disparos. Eles sustentam que a decisão do Tribunal do Júri é contrária às provas produzidas durante a instrução do processo.
Em nota, os assistentes de acusação afirmaram que pretendem adotar medidas legais para que o Tribunal de Justiça realize o reexame da decisão. O objetivo é submeter o caso a um novo julgamento pelo Tribunal do Júri, baseando-se no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que é possível recorrer de decisões de absolvição quando estas contrariam as provas dos autos.
