Lei Maria da Penha completa 20 anos em meio a aumento de feminicídios e trauma de filhos
Legislação celebra duas décadas de existência enquanto dados apontam que 1.653 crianças ficaram órfãs de feminicídio em 2025.
Por Redação Diário Local
A Lei Maria da Penha completa 20 anos nesta sexta-feira (7), em um cenário de altos índices de violência de gênero no Brasil. Enquanto a legislação celebra duas décadas de existência, dados oficiais revelam a persistência do problema e o impacto colateral sobre os filhos das vítimas.
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho, o país registrou 1.571 mulheres vítimas de feminicídio em 2025. O estado de São Paulo concentrou o maior número de ocorrências, com 270 casos registrados no período.
O impacto desses crimes estende-se para além das mulheres assassinadas. O Monitor de Feminicídios no Brasil, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), aponta que ao menos 1.653 crianças ficaram órfãs de feminicídio no país em 2025.
Qual o impacto para as crianças e jovens?
Muitos dos filhos de vítimas de feminicídio não apenas perdem a mãe, mas acabam testemunhando o crime ou vivenciando episódios prévios de violência doméstica. Esse cenário impõe uma necessidade de reconstrução de identidade e rotina para os jovens sobreviventes.
A perda da estrutura familiar e a exposição direta à violência geram impactos na saúde mental, exigindo suporte psicológico e social para lidar com o luto e o trauma de convivência com a insegurança.
Como funciona o apoio às vítimas?
Para enfrentar as consequências da violência, o Estado oferece mecanismos de suporte. Em São Paulo, o Centro de Referência e Apoio à Vítima (Cravi) disponibiliza atendimento psicológico, social e orientação jurídica gratuita para as vítimas e seus familiares.
O serviço busca auxiliar na transição e na recuperação das famílias afetadas, oferecendo acompanhamento especializado para tratar das sequelas emocionais deixadas pelos crimes de violência contra a mulher.
