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Economia

Apex Partners afasta presidente após identificar inconsistências financeiras e passivo de R$ 985,6 milhões

Empresa identifica passivo preliminar de R$ 985,6 milhões e acusa ex-executivo de gestão temerária e má-fé.

Por Redação Diário Local

A Apex Partners afastou o presidente Fernando Cinelli após identificar inconsistências financeiras em um conglomeramento que apresenta um passivo preliminar de R$ 985,6 milhões. A decisão ocorre em meio a uma crise de governança na gestora.

Documentos apresentados pela própria companhia à Justiça indicam que a dívida líquida do grupo saltou de R$ 413 milhões para R$ 975 milhões em um período de 18 meses. O aumento representa uma diferença de R$ 562 milhões no endividamento.

Além do salto na dívida, a situação dos ativos gerou alertas internos. Uma carteira de R$ 261,5 milhões, que poderia ser convertida em dinheiro, teria uma estimativa de recuperação de apenas R$ 190,1 milhões, resultando em uma diferença de R$ 71,4 milhões. Os valores são preliminares e dependem de auditoria externa.

O que causou a crise na Apex?

A crise tem como ponto central uma aposta financeira envolvendo a CVC. Segundo informações apuradas, a Apex ofereceu a investidores uma garantia de retorno mínimo atrelada ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário) em uma operação ligada a ações da companhia de turismo.

Como as ações podem oscilar, a gestora precisou cobrir a diferença quando os papéis da CVC perderam valor de mercado. O episódio coincide com a saída de Cinelli do conselho de administração da própria CVC, ocorrida no mesmo dia de seu afastamento da Apex.

A estratégia de crescimento da Apex foi marcada por diversas aquisições. Em 2023, a incorporação da Forever Capital elevou a carteira do grupo para R$ 4 bilhões. Em julho de 2025, a companhia já declarava R$ 14 bilhões sob gestão e custódia.

O que diz a defesa de Cinelli?

A Apex acusa o ex-presidente de gestão temerária e má-fé, preparando uma ação judicial para buscar a responsabilização do executivo e o bloqueio preventivo de seus bens. O objetivo é reparar os danos identificados nas contas do grupo.

Em contrapartida, a defesa de Fernando Cinelli contesta a tentativa de atribuir a ele a responsabilidade exclusiva pelo ocorrido. Os advogados alegam que as operações financeiras não foram isoladas, mas passaram por comitês, equipes técnicas e órgãos colegiados da empresa.

Cinelli também solicitou à Justiça o acesso a atas, contratos e mensagens internas para exercer sua defesa. O executivo sustenta que a apuração interna é preliminar e que ainda não teve oportunidade plena de esclarecer os fatos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.