Diário Local

Audiência sobre tarifas de 25% aos produtos brasileiros terá 13 inscritos a favor das taxas

Sessão do USTR no dia 6 de julho discutirá proposta de taxar brasileiros em 25%; grupo inclui setores de etanol, carne e aço.

Por Diário Local

A audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que discutirá a proposta de taxar produtos brasileiros em 25% terá pelo menos 13 inscritos que pretendem defender a medida. O evento está marcado para 6 de julho, com 84 pessoas registradas até o momento.

Entre os participantes inscritos estão o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o influenciador Paulo Figueiredo, ambos com participação individual. O grupo que pretende defender as tarifas é composto principalmente por empresas e associações norte-americanas que alegam sofrer prejuízos com o mercado brasileiro.

Os setores representados incluem etanol, proteína bovina, aço, mineração e tecnologia. A lista de inscritos a favor das taxações engloba nomes como Cleveland-Cliffs Inc, uma das maiores produtoras de aço laminado plano nos EUA; Growth Energy, que representa produtores de etanol; e R-CALF USA, associação que representa cerca de 4 mil pecuaristas de gado bovino e ovinos em 42 estados americanos.

O que alegam os favoráveis às tarifas

As empresas e associações norte-americanas inscritas argumentam enfrentar concorrência desleal vinda do Brasil. No caso do etanol, os grupos criticam políticas do governo federal brasileiro, como o RenovaBio, que segundo eles beneficia produtores locais e cria barreiras para o etanol importado dos EUA.

No setor de pecuária, associações norte-americanas afirmam que os produtores brasileiros não conseguem rastrear integralmente a cadeia de produção da carne bovina. Essa falha, segundo eles, permite criação de gado em áreas desmatadas e o uso de trabalho forçado, reduzindo custos e gerando concorrência desleal. A R-CALF USA pretende ainda solicitar a retirada dos cortes de carne bovina da lista de isenções das tarifas propostas.

Associações de produtores de aço argumentam que enfrentam uma concorrência prejudicial vinda do Brasil e buscam proteção tarifária para sua indústria nos Estados Unidos.

Razões apontadas pelo USTR para as tarifas

O USTR sugeriu as tarifas após investigação comercial contra produtos brasileiros. O órgão acusa o Brasil de políticas comerciais consideradas desleais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção e proteção da propriedade intelectual, além de restrições ao mercado de etanol e promoção de desmatamento ilegal.

A audiência integra o rito da Seção 301 da legislação comercial dos EUA, um mecanismo que permite avaliar práticas consideradas injustificáveis ou discriminatórias e que pode embasar recomendações de medidas comerciais. As alíquotas sugeridas pela pasta ainda precisam passar por essa fase de manifestações formais antes de serem implementadas.

Participação do governo brasileiro

O governo Lula não participará oficialmente da audiência. De acordo com avaliação do Itamaraty e do Palácio do Planalto, não faz sentido o governo comparecer a uma sessão destinada à sociedade civil, já que mantém canal de diálogo direto com o governo de Donald Trump para tratar do tema.

A embaixada do Brasil em Washington, contudo, acompanhará as sessões. O governo brasileiro também monitorará o evento, com atenção especial à participação de Flávio Bolsonaro.

Dezenas de associações, entidades e empresas brasileiras — e também americanas — pretendem testemunhar contra as tarifas, alegando que as taxações trazem prejuízos para empreendedores e população nos EUA.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.