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Economia

Bitcoin ultrapassa US$ 65 mil impulsionado por queda na inflação dos EUA

Criptomoeda registrou alta após índice de preços ao produtor (PPI) apresentar queda maior do que o esperado pelo mercado.

Por Davy Albuquerque

O Bitcoin (BTC) ultrapassou a marca de US$ 65 mil nesta quarta-feira (15), impulsionado pela divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos mais baixos do que o esperado. A criptomoeda chegou a ser negociada a US$ 65.275, apresentando alta de 2% em 24 horas e de 5,7% no acumulado de sete dias.

O movimento foi estimulado pelo Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos EUA, que registrou queda de 0,3% em junho. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, que previa estabilidade para o período, e contrastou com a alta de 0,6% observada em maio.

O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, também avançou menos do que o previsto tanto no fechamento do mês quanto no acumulado de 12 meses. Na comparação anual, o índice também apresentou desempenho abaixo das previsões iniciais.

Os dados reforçam o cenário de alívio econômico já indicado pela inflação ao consumidor (CPI) de junho. O indicador cheio mostrou recuo de 0,4% no mês e desacelerou para 3,5% em 12 meses, contra os 4,2% registrados em maio.

A desinflação influenciou também os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries). O título de dez anos passou de 4,61% para 4,58%, enquanto o de dois anos recuou de 4,21% para 4,17% após a divulgação do PPI.

Como o mercado reagiu ao fluxo de capital?

Além dos dados macroeconômicos, o apetite por risco foi refletido no fluxo de capital para os fundos de índice (ETFs) de Bitcoin nos Estados Unidos. Os ETFs de Bitcoin à vista receberam aproximadamente US$ 181 milhões na terça-feira (14).

O montante de entradas ocorreu após o mercado registrar uma saída de cerca de US$ 425 milhões no dia anterior. Com o movimento, os ativos sob gestão dos ETFs de Bitcoin voltaram a somar US$ 78 bilhões, ante US$ 75 bilhões anteriormente.

O fundo IBIT, da BlackRock, concentrou a maior parte da captação, com cerca de US$ 139 milhões. O FBTC, da Fidelity, registrou entradas de US$ 21 milhões no mesmo período.

Os fundos de Ethereum (ETH) também registraram movimentação positiva, somando US$ 58 milhões em entradas. O destaque foi o fundo ETHA, da BlackRock, que liderou o volume de captação para a criptomoeda.

Com o fluxo de entrada, os ativos sob gestão dos fundos de Ethereum ultrapassaram a marca de US$ 10 bilhões. No mesmo horário da valorização do Bitcoin, os futuros do Nasdaq 100 também operavam em alta de 0,5%.

Quais as expectativas para o Fed?

Apesar do rali, o Bitcoin apresentou sinais de perda de fôlego durante a quarta-feira, recuando de um pico de aproximadamente US$ 65.500. O movimento ocorre enquanto investidores recalibram apostas sobre os próximos passos do Banco Central americano (Federal Reserve, ou Fed).

De acordo com o FedWatch, da CME, o mercado atribui 93% de probabilidade de que o Fed mantenha as taxas de juros inalteradas neste mês. A chance de um aumento é considerada baixa, estimada em 14,4% pelos negociantes.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que um único dado favorável de inflação não é suficiente para declarar vitória sobre o tema. Segundo o dirigente, as próximas decisões do banco central permanecem atreladas aos novos indicadores que serão divulgados.

Novos sinais sobre o cenário econômico devem surgir com a divulgação da inflação pessoal (PCE) no fim do mês. Desde o início de julho, o Bitcoin acumula alta de cerca de 10%, enquanto o Ethereum sobe aproximadamente 20% no mesmo período.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.