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Economia

JPMorgan mantém posição neutra para o real e aponta risco eleitoral no Brasil

Banco cita avanço do risco eleitoral doméstico e posicionamento carregado de investidores como motivos para não preferir o real brasileiro.

Por Davy Albuquerque

O JPMorgan adotou uma postura de neutralidade em relação ao real brasileiro para o segundo semestre, citando o avanço do risco eleitoral doméstico e o posicionamento já carregado de investidores na moeda. A equipe de estratégia do banco optou por manter a exposição em linha com a média do mercado, enquanto elevou a preferência por outras moedas da América Latina.

De acordo com o relatório do banco, a narrativa eleitoral tornou-se o principal vetor de volatilidade para o câmbio no Brasil. Com a aproximação do calendário político, o risco local tende a ganhar peso sobre o benefício do diferencial de juros.

O real já registrou uma desvalorização de 4,5% desde a máxima atingida em maio. Além do fator político, o banco aponta uma questão técnica: a moeda aparece ligeiramente valorizada em relação ao valor justo estimado pelo modelo da instituição, cerca de 1,5% a 2% acima do esperado.

Por que o JPMorgan mantém neutralidade no real?

A neutralidade também é influenciada pelo alto nível de posicionamento dos investidores. Dados do IMM indicam que o real está no percentil 81 em uma janela de dez anos, enquanto uma pesquisa do próprio banco com clientes aponta que o posicionamento comprado está no percentil 93 desde 2003.

Esse cenário indica que o mercado já entrou fortemente na tese de carry (carregamento de juros) no Brasil, deixando menos espaço para novas compras. O risco de realização de lucro aumenta caso o ambiente político se deteriore.

Quanto às projeções cambiais, o JPMorgan estima que o dólar deve encerrar o terceiro trimestre a R$ 5,15, subir para R$ 5,20 no quarto trimestre e retornar ao patamar de R$ 5,15 no primeiro e segundo trimestres de 2027.

Quais moedas são preferidas pelo banco?

Enquanto o Brasil mantém posição neutra, o banco elevou o peso colombiano para uma perspectiva de compra (overweight). A análise justifica que a moeda colombiana pode entregar retornos positivos apoiada por juros elevados e uma perspectiva de governo mais ortodoxo.

O peso mexicano também segue como uma das apostas preferidas, sustentado por fundamentos como o saldo comercial e o fluxo de investimento direto, além do bom relacionamento comercial com os Estados Unidos. Já o peso chileno permanece recomendado devido à expectativa de alta no preço do cobre nos próximos seis meses.

No Brasil, o banco projeta que a taxa Selic deve ficar em 13,75% ao fim de 2026, sinalizando uma margem menor para novos ajustes na política monetária.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.