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BlackRock vê Brasil como estrela em renda fixa no segundo semestre

Gestora americana destaca oportunidades em títulos brasileiros corrigidos pela inflação, citando retornos reais e possível normalização monetária.

Por Diário Local

A BlackRock, gigante americana de gestão de investimentos, colocou o Brasil e a América Latina entre as principais oportunidades de renda fixa para o segundo semestre de 2024. Segundo Axel Christensen, estrategista-chefe da empresa para a região, o Brasil oferece alguns dos maiores retornos reais em títulos de renda fixa, apesar dos desafios fiscais persistentes.

A recomendação prioriza renda fixa em vez de ações. A gestora enxerga mais oportunidade em títulos porque pressões inflacionárias e juros mais altos favorecem esse segmento. "Brasil e Colômbia oferecem alguns dos maiores retornos reais e possibilidade de uma breve normalização monetária, apesar de os desdobramentos fiscais continuarem críticos", afirmou Christensen nesta quinta-feira (2).

A BlackRock recomenda maior diversificação de investimentos, citando Treasuries americanos, títulos locais de países emergentes e crédito privado securitizado com garantias. A gestora sugere especificamente títulos corrigidos pela inflação em moeda local, que oferecem proteção contra volatilidade de preços.

A região também é favorecida por um ambiente de queda da inflação, políticas monetárias críveis e uma reformulação das forças globais de crescimento e fluxos de capitais. No entanto, a gestora prega seletividade e cautela diante de fatores externos e internos que podem impactar os investimentos.

Riscos que precisam ser considerados

Entre os riscos locais, Christensen cita a eleição presidencial brasileira e a necessidade de demonstrar credibilidade fiscal como um diferencial importante. Um crescimento global menor, tensões geopolíticas e um aperto nas condições financeiras globais também figuram como riscos externos para esses países.

A gestora continua cautelosa em alocações regionais de ações, preferindo oportunidades específicas em cada país com seleção ativa e exposição temática. Essa abordagem reconhece que nem todos os emergentes oferecem o mesmo risco-retorno no contexto atual.

Oportunidades estruturais para o Brasil

Apesar dos desafios, Christensen enxerga oportunidades claras para o Brasil. O País possui altas reservas de matérias-primas como terras raras e pode aproveitar a maior demanda de inteligência artificial, além de energia e alimentos, para aumentar o crescimento econômico. "Independentemente de quem vença [a eleição], vemos desafios e oportunidades para o Brasil", disse.

O estrategista destaca que reduzir o custo de financiamento é crucial para viabilizar investimentos em infraestrutura, que são altamente sensíveis às taxas de juros. Todas essas potencialidades precisarão de investimento pesado para sair do papel, acredita.

"Infraestrutura deve ter um papel importante na atração de investimentos. Acreditamos que o Brasil deve estar no foco de interesse dos investidores, especialmente em infraestrutura", afirmou Christensen. O analista avalia que melhorias nessa área podem ampliar a atratividade do Brasil para capital internacional.

Recuo em Mercados Emergentes como um todo

A BlackRock reduziu nesta semana sua recomendação de "overweight" (compra) para "neutra" em Mercados Emergentes globais. O movimento serviu para realizar lucros obtidos no ano passado e no começo deste ano, especialmente em ações de empresas coreanas e taiwanesas fornecedoras para inteligência artificial.

O aumento da volatilidade dos mercados também estimulou essa redução de posição. "Não significa que não gostamos de mercados emergentes, e podemos revisitar essa recomendação, dependendo do cenário", explicou Christensen, sinalizando uma possível mudança futura.

Segundo o estrategista, índices como o S&P 500 e de Mercados Emergentes têm risco muito concentrado em poucas companhias ligadas a inteligência artificial. Por isso, a BlackRock busca mudar sua abordagem e ir além do modelo tradicional de diversificação, buscando outros ativos menos correlacionados.

"A América Latina se destaca claramente nessa abordagem, por ser menos impactada por IA, pelos conflitos geopolíticos, isso a faz ter mais sabor local", observou Christensen. A região oferece uma alternativa para investidores que querem se afastar do risco concentrado dos mercados desenvolvidos e dos fornecedores de inteligência artificial.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.