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Comprar na alta funciona? Estudo analisa 15 anos de Ibovespa, IDIV e S&P 500

Pesquisa da XP Investimentos simula aportes em máximas históricas e compara com contribuições mensais regulares em três índices.

Por Diário Local

Investir quando um índice atinge novo recorde histórico gera desconforto entre muitos investidores. O receio de chegar tarde a uma tendência de valorização é frequente. Para responder se essa estratégia funciona no longo prazo, a XP Investimentos divulgou um estudo que analisou 15 anos de comportamento de três índices: Ibovespa, Índice de Dividendos (IDIV) e S&P 500.

A pesquisa simulou aportes realizados sempre que os índices alcançavam novas máximas históricas. O objetivo era verificar como essa estratégia teria se comportado ao longo de diferentes ciclos econômicos e financeiros. O período analisado capturou momentos bastante distintos para investidores — a lateralização da Bolsa brasileira entre 2011 e 2017, a crise desencadeada pela pandemia de Covid-19 em 2020 e o ciclo de recuperação observado nos anos seguintes.

No caso do Ibovespa, o comportamento foi particular. O índice permaneceu mais de seis anos sem renovar o topo histórico registrado em 2011, fazendo com que o primeiro aporte da estratégia ocorresse apenas em 11 de setembro de 2017. Segundo os analistas, esse foi o caso mais didático sobre os custos de esperar por novos recordes — apesar de a janela do estudo ser de 15 anos, o Ibovespa ficou preso em um período prolongado sem renovar máximas.

O IDIV apresentou comportamento intermediário. O índice, que reúne empresas destacadas na distribuição de dividendos, registrou mais oportunidades de aportes em máximas históricas do que o principal indicador da bolsa brasileira. Ainda assim, contribuições mensais regulares geraram desempenho superior à estratégia de investir apenas quando novos recordes eram alcançados.

No S&P 500, o padrão foi diferente. O índice apresentou o melhor desempenho absoluto entre os ativos analisados. Considerando aportes realizados em reais e posteriormente convertidos para dólares, o capital investido foi multiplicado por 3,5 vezes ao longo do período. Em moeda americana, o patrimônio cresceu 2,66 vezes, enquanto a valorização do câmbio ampliou ainda mais os ganhos para investidores brasileiros.

A análise mostrou que o S&P 500 registrou novas máximas em cerca de dois terços dos meses avaliados, refletindo um regime de alta estrutural que marcou grande parte do mercado acionário americano nos últimos anos. Esse cenário foi bem diferente do Ibovespa, onde os períodos de renovação de máximas foram mais espaçados.

Apesar do desempenho sólido do S&P 500, aportes mensais regulares voltaram a gerar resultados superiores. Com o mesmo valor total investido ao longo de 158 meses, o patrimônio final teria alcançado US$ 92,9 mil com contribuições mensais — cerca de US$ 3,7 mil acima da estratégia de comprar apenas em novas máximas.

Um padrão foi identificado em todos os índices analisados: investidores que mantiveram aportes mensais consistentes obtiveram resultados superiores aos que aguardaram novos recordes para efetuar compras. A conclusão desafia a percepção comum de que máximas históricas necessariamente representam um mau ponto de entrada.

O estudo também abordou um comportamento conhecido como FOMO, sigla em inglês para "Fear of Missing Out" (medo de ficar de fora). O termo descreve o receio de perder um movimento de alta, levando muitos investidores a realizar compras apenas após fortes valorizações. De acordo com a análise, esse comportamento pode produzir um efeito contrário ao desejado.

Quem entra apenas depois de grandes avanços corre o risco de perder uma parcela relevante da valorização ou até mesmo boa parte de todo o movimento de alta. O estudo mostra, porém, que uma parte significativa dos ganhos de longo prazo ocorre justamente durante períodos em que os mercados seguem renovando recordes sucessivos.

Houve casos em que a estratégia de comprar em novas máximas entregou desempenho bastante sólido, enquanto em outros o retorno foi mais moderado. A dinâmica variou conforme o índice e o período econômico analisado, mas um resultado foi consistente.

Em todos os três índices estudados, manter aportes regulares se mostrou mais eficiente do que tentar adivinhar o melhor momento para investir. A consistência prevaleceu sobre a tentativa de encontrar o timing perfeito.

A principal conclusão do estudo é que a disciplina de aportes regulares tende a ser mais eficiente que estratégias baseadas em esperar por momentos específicos. Embora comprar em máximas históricas possa gerar retornos positivos em diversos cenários, a consistência mostrou-se superior ao longo dos ciclos econômicos e financeiros analisados pela XP.

O achado é relevante especialmente para investidores que deixam de aproveitar oportunidades por medo de comprar caro. A pesquisa sugere que a melhor estratégia é manter o hábito de aportar regularmente, independentemente do nível em que o mercado se encontra.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.