PT aloca R$ 126 milhões para campanha de reeleição de Lula em 2026
Partido também destina R$ 61,9 milhões para candidatos ao Senado, quatro vezes mais que em 2022, visando reforçar bancada aliada no Legislativo.
Por Diário Local
O PT definiu nesta sexta-feira a distribuição de R$ 615 milhões do Fundo Eleitoral entre suas candidaturas em 2026. A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá R$ 126 milhões, enquanto R$ 326 milhões foram reservados para campanhas de deputados e senadores.
Para os candidatos a senador, o montante definido é de R$ 61,9 milhões, equivalente a 10,08% do total do Fundo Eleitoral. Esse valor representa um aumento proporcional de quatro vezes comparado ao reservado em 2022, quando representava 2,48% dos recursos. A mudança reflete a importância estratégica das eleições para o Senado Federal neste ano, já que aproximadamente dois terços das vagas estarão em disputa.
A prioridade no Senado ocorre em um contexto de pressão política. Aliados da direita têm atuado para aumentar sua representação na Casa e pressionar por pautas que visam a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). O PT avalia que é necessário reforçar sua bancada nas duas Casas do Congresso para garantir maior governabilidade a Lula em eventual quarto mandato.
A necessidade de reforço legislativo reflete a relação instável entre o Planalto e o Legislativo desde janeiro de 2023. Desde que assumiu a presidência, Lula enfrentou momentos de maior e menor afastamento com a cúpula do Congresso, o que levou o partido a investir mais nos candidatos a senador e deputado.
Como ficou a divisão dos recursos
Na reunião desta sexta, o partido estabeleceu o percentual do Fundo Eleitoral que cada bloco de candidatos receberá em 2026. A Câmara dos Deputados ficará com a maior fatia, de 43,06%, seguida pela campanha presidencial, com 20,64%.
A distribuição completa incluiu: governos estaduais (11,70%), Senado Federal (10,08%), Assembleias Legislativas (8,13%) e uma reserva de 6,40% para possíveis realocações durante o processo eleitoral. Os valores podem sofrer alterações conforme decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre questões de destinação de recursos para mulheres e pessoas negras.
Os petistas ainda discutirão as prioridades e a divisão desses montantes dentro de cada bloco de candidatos. A regra atual obriga os partidos a destinarem 30% do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para candidaturas de pessoas negras e mulheres, mas ainda não há especificação em qual nível das campanhas os recursos devem ser aplicados.
Sete candidatos a governador já definidos
O PT concorrerá com candidatos próprios em sete estados. Rafael Fonteles, do Piauí, Jerônimo Rodrigues, da Bahia, e Elmano de Freitas, do Ceará, buscam a reeleição nos cargos que ocupam.
Fernando Haddad é o candidato em São Paulo, estado considerado estratégico para o resultado nacional. Felipe Camarão, no Maranhão, Helder Salomão, no Espírito Santo, e Fábio Trad, em Mato Grosso do Sul, completam a lista de candidatos já definidos. Segundo integrantes do PT que acompanharam a reunião, a definição de dar maior fatia dos recursos para candidatos a governadores ocorreu principalmente pela candidatura de Haddad, tida como prioridade na sigla.
O PT também planeja lançar candidatura em Minas Gerais, mas ainda não definiu o nome. Marília Campos é considerada favorita, mas resistiu publicamente à possibilidade de concorrer ao governo estadual e mantém pré-candidatura ao Senado Federal.
Em São Paulo, Lula obteve 44,77% dos votos em 2022, enquanto Jair Bolsonaro chegou a 55,23%. O presidente tem demonstrado otimismo com a campanha de Haddad no estado e busca recuperar votos em regiões onde tradicionalmente a esquerda tem melhor desempenho.
A avaliação do PT é que a eleição presidencial de 2026 será acirrada. O partido pretende aumentar a votação de Lula nos estados onde a esquerda é forte e diminuir a diferença de votos nas unidades da federação onde a direita tem melhor resultado nas urnas.
O PT possui um total de R$ 615 milhões do Fundo Eleitoral para 2026. Comparativamente, o PL, sigla de Jair Bolsonaro, receberá a maior fatia do fundo, com R$ 881,7 milhões. O Tribunal Superior Eleitoral manteve para as eleições gerais deste ano os mesmos limites de gastos de campanha adotados no pleito de 2022.
