Cooperativa Copacol lidera ranking de co-manufatura e supera gigantes como Nestlé e Unilever
Levantamento da GrowinCo mostra que cooperativa paranaense superou multinacionais ao usar parcerias industriais para crescer
Por Davy Albuquerque
A cooperativa agroindustrial Copacol, do Paraná, liderou um ranking inédito sobre a eficiência no uso da co-manufatura no setor de alimentos e bebidas no Brasil. O estudo, realizado pela plataforma GrowinCo, posicionou a cooperativa à frente de gigantes multinacionais, como Unilever, JBS Brasil, Nestlé e Mondelez.
O levantamento, batizado de CPG Leaders 100, avaliou como as empresas utilizam parcerias industriais (terceirização) para impulsionar o crescimento, a inovação e a escala. Para esta primeira edição, 135 organizações foram pontuadas com base em três pilares: escala, inovação e rede de contatos (network).
O estudo monitorou mais de 21 mil empresas de bens de consumo no Brasil e rastreou 168.992 lançamentos de produtos entre 1996 e 2026. Desse total, 29.938 lançamentos foram realizados por meio de modelos de co-manufatura, evidenciando a relevância da estratégia no setor.
A terceirização industrial tem deixado de ser uma solução tática para se tornar uma ferramenta estratégica. Segundo dados da GrowinCo, 18% de todos os produtos lançados atualmente nos segmentos de alimentos e bebidas já são produzidos via terceirização.
Como funciona o ranking CPG Leaders 100?
Diferente de métricas tradicionais, como faturamento ou participação de mercado, o índice mede a maturidade das empresas em construir relações com parceiros industriais. O objetivo é identificar quais marcas conseguem acelerar o lançamento de portfólios sem a necessidade de investir pesadamente em fábricas próprias.
Essa estratégia permite que as companhias se adaptem rapidamente às novas demandas dos consumidores, como a busca por produtos funcionais e saudáveis. O modelo reduz a necessidade de grandes investimentos em ativos industriais e acelera a entrada em novas categorias de mercado.
O Top 10 do ranking foi composto pelas seguintes pontuações: Copacol (85,6), Unilever (82,2), Linea (80,6), JBS Brasil (80,2), Native Orgânicos (79,9), Nestlé (79,8), Catupiry (79,5), Korin Agropecuária (77,9), Mondelez (77,7) e Mais Mu (75,4).
A liderança da Copacol foi impulsionada pela sua capacidade de expansão de categorias. A cooperativa aproveitou sua estrutura de logística de proteínas para oferecer novos produtos congelados, como ervilhas e legumes, utilizando o modelo de parceria.
O levantamento também destacou desempenhos específicos por critério. A marca Mais Mu obteve o maior score de inovação, enquanto a Nestlé registrou o maior índice de rede (network), com 93,9 pontos, embora tenha ficado na sexta posição geral.
Quais os desafios para o setor no Brasil?
Apesar do avanço, o mercado de co-manufatura brasileiro ainda é considerado menos maduro que o dos Estados Unidos e da Europa. Na Europa, por exemplo, o volume de vendas de alimentos e bebidas via terceirização atinge 50% do total.
Um dos principais gargalos no Brasil é a falta de fabricantes dedicados exclusivamente à produção para terceiros. Atualmente, a maioria das indústrias nacionais atende parceiros apenas com a capacidade produtiva que sobra de suas próprias marcas.
Diferente do modelo consolidado no exterior, onde existem indústrias focadas inteiramente em "white label", o parque fabril brasileiro carece de especialização para esse fim. Isso impacta diretamente nos custos, na especialização e na qualidade da oferta disponível para grandes companhias.
O amadurecimento desse ecossistema pode gerar benefícios estruturais para a indústria nacional. O uso mais eficiente da capacidade fabril poderia reduzir a ociosidade industrial — que hoje atinge 25% do setor — e diminuir custos logísticos, o que poderia ser repassado aos consumidores finais.
