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Economia

Pessimismo recorde entre gestores faz mercado abandonar 'Kit Brasil' e apostar no dólar

Pesquisa da XP aponta que 95% de gestores de fundos têm visão negativa para a economia brasileira na véspera de decisão do Copom.

Por Redação Diário Local

O otimismo do mercado financeiro com a economia brasileira atingiu o nível mais baixo da série histórica. Segundo pesquisa pré-Copom realizada pela XP entre os dias 26 e nesta sexta-feira (30), 95% dos gestores de fundos multimercados macro possuem uma visão negativa para a economia do país.

O levantamento, feito com 20 gestoras de fundos, reflete o cenário de incertezas na semana após as eleições, definidas no domingo (25). O resultado mostra uma inversão do posicionamento que antes favorecia o chamado “Kit Brasil” — conjunto de apostas que buscava alta da bolsa, queda do dólar e redução de juros.

Com o aumento do pessimismo, os investidores migraram para o dólar como instrumento de proteção. A pesquisa indica que 70% dos gestores estão comprados na moeda norte-americana, enquanto apenas 30% mantêm posições vendidas. Em contrapartida, o interesse por ações brasileiras despencou: o percentual de gestores comprados em ações recuou de 70%, em setembro, para 25% no cenário atual.

O que se espera para os juros?

A pesquisa também detalha as expectativas para a taxa Selic, que é decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (4). O consenso anterior sobre o afrouxamento dos juros foi substituído por uma previsão de manutenção.

Atualmente, 75% dos gestores projetam a manutenção dos juros no patamar de 13,75%, enquanto 25% ainda esperam um corte de 25 pontos-base. Nenhuma gestora consultada prevê alta da taxa na reunião desta semana.

A projeção para a Selic terminal, que representa a taxa ao final do ciclo, passou para 13,04%, sinalizando uma redução na convicção de que os cortes de juros serão estendidos.

Piora nas projeções macroeconômicas

O cenário de desconfiança impactou diretamente as expectativas para indicadores fundamentais do país. A projeção para a inflação (IPCA) de 2026 foi elevada de 4,97% para 5,24%.

Ao mesmo tempo, a perspectiva para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) sofreu uma redução, passando de 1,78% para 1,68%. Pela primeira vez na série da pesquisa, nenhuma gestora apresentou uma visão positiva para a economia brasileira, comparado aos 20% registrados na leitura anterior.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.