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Desenrola Brasil

Desenrola 3.0 pode limpar o nome de 260 mil pessoas no Espírito Santo

Nova fase do programa federal prevê compra de dívidas pelo governo e inclusão automática de consumidores inadimplentes no cadastro.

Por Redação Diário Local

A nova fase do programa Desenrola Brasil 3.0 pode limpar o nome de até 260 mil consumidores no Espírito Santo. A estimativa foi feita pelo presidente do Conselho Regional de Economia do Estado (Corecon-ES), Ricardo Paixão, e pelo economista Sebastião Demuner.

O programa, instituído por Medida Provisória (MP) e anunciado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, na sexta-feira (26), prevê que a União realize a compra direta de carteiras de inadimplentes em leilões com os credores. Diferente das edições anteriores, o cidadão não precisa realizar uma adesão prévia: caso a dívida esteja na carteira adquirida pelo governo, a inclusão do nome nos órgãos de proteção ao crédito é automática.

De acordo com dados da Serasa de agosto, o Espírito Santo possui 1.413.589 devedores, sendo que 42,16% das dívidas são com bancos, cartões e financeiras. Em média, 36% dos débitos de cartão de crédito e 43% dos de crédito pessoal possuem mais de dois anos de atraso.

Como funcionará o Desenrola 3.0?

A proposta estabelece que a União compre as dívidas das instituições financeiras com um desconto mínimo de 90% e repasse esse benefício integralmente ao devedor. Após o leilão, o consumidor poderá optar pela quitação à vista ou pelo parcelamento do saldo remanescente, com juros definidos pelo Conselho Monetário Nacional.

O governo estima um gasto de até R$ 15 bilhões com o programa, valores que devem constar nos Orçamentos de 2027 e 2028. O montante total de dívidas elegíveis no país — que consideram débitos de até R$ 10 mil com atraso de 2 a 4,5 anos — alcança cerca de R$ 150 bilhões, podendo beneficiar até 15 milhões de pessoas.

Para o credor, o recebimento de uma parcela de um crédito de difícil recuperação é preferível à manutenção de um ativo de baixa qualidade. Já para o consumidor, o desconto expressivo pode tornar a dívida compatível com sua capacidade financeira, segundo Ricardo Paixão.

Quais são os próximos passos e prazos?

Os leilões serão realizados em lotes e segmentados por tipo de dívida (bancária ou não bancária) entre 2026 e 2028. O primeiro lote, com início do processo previsto para novembro, focará em dívida de cartão de crédito rotativo, parcela e crédito pessoal sem consignação em folha.

O cronograma do programa prevê a publicação da Medida Provisória em setembro e o chamamento para propostas em novembro. Em dezembro, os credores entregam as propostas e, em janeiro de 2027, ocorre a homologação. A assinatura dos contratos e o início do repasse aos devedores estão previstos para fevereiro de 2027.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.