Diário Local

Dólar fica estável em R$ 5,20 e Bolsa sobe com criação fraca de empregos nos EUA

Ibovespa fechou em alta de 0,64% após três pregões de queda, impulsionado por perspectiva de juros americanos mais contidos.

Por Diário Local

O dólar permaneceu estável nesta quinta-feira (2/7), com leve queda de 0,03% frente ao real, cotado a R$ 5,20. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 0,64%, aos 172,7 mil pontos, interrompendo uma sequência de três pregões consecutivos de quedas.

A movimentação dos mercados foi fortemente influenciada por dados do mercado de trabalho americano divulgados nesta sessão. Em junho, a economia dos Estados Unidos criou apenas 57 mil postos de trabalho fora do setor agrícola, número significativamente menor que a estimativa de 110 mil vagas projetada pelo mercado. Os dados de maio também foram revisados para baixo: de 172 mil para 129 mil postos criados.

A taxa de desemprego americano ficou estável em 4,2%, abaixo da projeção de 4,3%. Esse resultado fraco na criação de empregos reduziu as apostas de que o Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, promoveria novos aumentos das taxas básicas de juros nos próximos meses.

Com a perspectiva de juros americanos mais contidos, as expectativas de aperto monetário diminuíram. Isso favoreceu aportes em ativos de risco, como ações negociadas em bolsas, e os investidores voltaram a direcionar recursos para mercados emergentes, beneficiando a Bolsa brasileira.

Bolsas no exterior

Na Europa, os principais índices registraram altas firmes. O Stoxx 600, que reúne ações de empresas de 17 países europeus, subiu 1,43% e atingiu novo recorde aos 648,46 pontos. Em Londres, o FTSE 100 avançou 1,67%, enquanto em Frankfurt o DAX subiu 2,02% e em Paris o CAC 40 ganhou 1,65%.

Em Wall Street, porém, o pregão foi misto. O S&P 500 caía 0,17% e o Nasdaq, índice concentrado em empresas de tecnologia, recuava 0,97%. O Dow Jones, por outro lado, subia 1,03%.

Por que o Brasil se beneficia

A perspectiva de que o Federal Reserve mantenha os juros estáveis ou abra espaço para cortes futuros favorece mercados emergentes como o Brasil. Com a atratividade da renda fixa americana reduzida, grandes fundos globais tendem a retirar seus dólares de ativos seguros americanos e retomar exposição a ativos rentáveis, como as ações negociadas na Bolsa brasileira.

Segundo analistas, essa realocação de capital explica a alta do Ibovespa nesta sessão. O cenário reduz o risco de que taxas de juros mais altas nos EUA continuem drenando investimentos do Brasil para mercados de renda fixa americana.

Petróleo limita ganhos da Bolsa

A alta da Bolsa encontrou limitação no setor de energia. O preço internacional do petróleo caiu, movimento consolidado após arrefecimento das tensões geopolíticas entre Irã e Estados Unidos. Como a Bolsa brasileira depende fortemente de commodities, a queda do barril inevitavelmente pesou sobre as ações da Petrobras e afetou o ganho geral do índice.

Juros futuros em queda

O alívio externo teve impacto direto na curva de juros futuros do Brasil. Com a redução gradual dos preços do petróleo — fator importante para a inflação — e sem perspectiva de juros americanos mais altos, o Banco Central ganha espaço para administrar a taxa Selic de forma menos apertada.

Como reflexo dessa tranquilidade, os contratos de juros futuros (DIs) operaram em queda em praticamente todos os vencimentos. O cenário sugere que a pressão inflacionária pode diminuir, abrindo margem para decisões futuras sobre a política de juros doméstica.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.