EUA impõem nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e criam impasse comercial
Governo dos Estados Unidos oficializou nova alíquota sobre produtos do Brasil; especialistas apontam cenário delicado para negociações.
Por Davy Albuquerque
O governo dos Estados Unidos oficializou, nesta quarta-feira (15), a aplicação de uma nova alíquota de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A decisão foi tomada pelo presidente Donald Trump, que acatou uma recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
A medida é resultado de uma investigação conduzida pelo USTR, que sustenta que políticas brasileiras sobre comércio digital, combate à corrupção, processamento de patentes, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica para players norte-americanos. Segundo o órgão, a nova taxação visa eliminar práticas comerciais consideradas desleais.
O imposto de 25% é um desdobramento de um processo iniciado em julho de 2025, quando Trump anunciou uma tarifa anterior de 50% contra o país. A atual imposição utiliza a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, ferramenta que permite ao governo americano investigar e retaliar nações por práticas comerciais consideradas injustas.
O objetivo da taxação
Para o economista Robson Gonçalves, da Fundação Getulio Vargas (FGV), a medida funciona como uma estratégia de pressão para negociações envolvendo temas sensíveis. Segundo o especialista, os Estados Unidos buscam uma posição de força para discutir o controle de terras raras e a arquitetura do sistema Pix.
A questão dos minerais críticos já havia sido pauta em reunião entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, em maio deste ano. Enquanto os EUA têm interesse em explorar as reservas brasileiras, o Brasil busca atrair empresas para produzir itens de valor agregado em território nacional.
O estrategista Thiago de Aragão, da Arko Internacional, observa que a tarifa funciona como uma alavanca de negociação e não como um fim em si mesma. Ele aponta que a taxação foi calibrada para gerar impacto no Brasil, mas sem prejudicar significativamente a economia dos Estados Unidos.
Possível retaliação brasileira
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que avalia a retomada do processo de reciprocidade, que havia sido suspenso após um recuo no tarifaço anterior. O ministro ressaltou que a medida deve ser decidida após consulta ao presidente Lula.
Contudo, especialistas alertam para a complexidade do cenário. O cientista político Leandro Consentino, do Insper, pontua que o Brasil precisa de pragmatismo para avançar em temas sensíveis e evitar que as demandas externas comprometam a soberania nacional.
Como alternativa para mitigar as consequências do impasse, Consentino sugere que o país busque a diversificação de mercados. A estratégia seria reduzir a dependência comercial e encontrar novas oportunidades de exportação para sofrer menos com as tensões bilaterais.
