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Economia

Aumento no custo de frete marítimo pressiona mineradoras brasileiras e afeta rentabilidade

Custos de transporte para a China dobraram em rotas do Brasil, reduzindo margens de produtores e afetando preços no porto de origem

Por Redação Diário Local

O avanço nos custos de frete marítimo para o transporte de minério de ferro tem reduzido a rentabilidade dos produtores globais e levado os preços do minério nos portos de origem aos níveis mais baixos em oito anos. O movimento ocorre devido ao desequilíbrio entre a oferta e a demanda de embarcações nas rotas de transporte de commodities.

De acordo com análise de especialistas do Goldman Sachs, os fretes do segmento capesize, utilizado para o transporte de grandes volumes, mais que dobraram em relação à média dos últimos dez anos nas rotas entre Brasil-China e Austrália-China. Embora o preço do minério entregue na China tenha se mantido estável, o custo para levar o produto até o destino reduziu os valores recebidos pelos exportadores no porto de origem.

Por que o custo do frete subiu?

O aumento é resultado de uma combinação de fatores que reduziram a disponibilidade da frota global. Entre as causas citadas estão a ocorrência de tufões no Sudeste Asiático, a redução da velocidade dos navios para economizar combustível e um ciclo concentrado de manutenções obrigatórias.

Além disso, a expansão da frota de navios capesize tem sido limitada desde 2020. Há também uma concorrência direta pelo uso de embarcações: o crescimento das exportações de bauxita da Guiné tem ocupado navios que antes eram usados para o minério de ferro. O mercado opera atualmente com um déficit estimado entre 3 milhões e 5 milhões de toneladas por mês em capacidade de transporte.

A previsão é que o mercado de fretes permaneça apertado até 2028. Se por um lado a entrega de novos navios deve acelerar em 2027, uma expansão relevante só é esperada a partir de 2028, período em que novas cargas, como as do projeto de minério de ferro de Simandou, devem entrar no mercado.

Impacto nas mineradoras brasileiras

Os produtores no Brasil são considerados os mais vulneráveis ao aumento dos fretes pela distância geográfica até a China. Atualmente, o transporte na rota Brasil-China custa cerca de US$ 40 por tonelada, o dobro do valor praticado na rota Austrália-China, que fica próxima de US$ 20.

A situação já impacta operações no setor. Segundo o banco, a Usiminas reduziu sua produção de minério em cerca de 30%, enquanto mineradoras de menor porte avaliam desacelerar as atividades devido à pressão sobre as margens de lucro.

Quanto às grandes empresas, a CSN Mineração aparece como uma das mais expostas, pois possui exposição integral aos preços de mercado para o frete e depende da compra de minério de terceiros para cerca de 30% de seus volumes. Já a Vale é vista como mais protegida, pois possui contratos de longo prazo que cobrem entre 90% e 95% de seus volumes de transporte para 2026, além de proteger cerca de 80% dos embarques previstos para 2027.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.