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Economia

Inadimplência empresarial aumenta risco de crédito para gestoras no Brasil

Levantamento da Intra Asset indica que 70% dos grupos que deixaram a carteira da gestora o fizeram após piora no risco de crédito.

Por Redação Diário Local

A inadimplência empresarial e os juros elevados têm aumentado o rigor na avaliação do risco de crédito no Brasil. Um levantamento da Intra Asset, gestora de recursos especializada em crédito estruturado, mostra que 70% dos grupos empresariais que deixaram as carteiras da empresa nos últimos seis anos o fizeram após a piora do risco de crédito.

A gestora realizou o encerramento preventivo de operações com essas companhias para reduzir a possibilidade de prejuízos. Os outros 30% dos grupos que deixaram a carteira apresentaram melhora na situação financeira, quitaram dívidas e voltaram a utilizar crédito em grandes bancos, segundo os dados da instituição.

A avaliação da gestora abrangeu aproximadamente 1.500 grupos empresariais com faturamento anual superior a R$ 120 milhões. Desse total, cerca de 500 chegaram a operar com a casa, mas apenas aproximadamente 100 permanecem ativos no momento.

Como é feita a análise de risco?

O monitoramento considera indicadores como geração de caixa, endividamento, liquidez e garantias. Também são observados sinais de deterioração financeira, como a redução de margens, atrasos com fornecedores e a necessidade recorrente de capital de giro para o pagamento de despesas operacionais.

Fernando Moreira, diretor de Gestão de Fundos da Intra Asset, ressalta que os demonstrativos contábeis podem não refletir todas as fragilidades de uma companhia. Segundo ele, uma empresa pode parecer saudável nos documentos, mas carregar problemas que só são identificados na observação direta da operação.

O risco precisa ser acompanhado durante todo o período da exposição de crédito, e não apenas no momento da aprovação da operação.

Perfil das empresas e setores

As companhias analisadas possuem diferentes perfis de receita. Cerca de 60% da exposição da carteira está concentrada em empresas com faturamento anual acima de R$ 1 bilhão.

Quanto à divisão por setores, a indústria representa 45% da exposição da gestora. O segmento de comércio, varejo, atacado e distribuidores responde por 30%, enquanto o agronegócio representa aproximadamente 20%.

A análise pontua que o cenário de juros elevados encarece tanto empréstimos quanto renegociações de dívidas, pressionando o caixa de empresas que dependem de capital de giro ou precisam renovar financiamentos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.