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Economia

Gestor da Adam Capital prevê que inflação será o caminho para resolver despesa pública

Executivo da Adam Capital aponta que dificuldade política para cortar gastos pode forçar resolução do impasse via inflação.

Por Davy Albuquerque

A dificuldade política para reduzir despesas públicas pode levar o Brasil a resolver o desequilíbrio fiscal por meio da inflação, segundo o gestor Marcio Appel. À frente da Adam Capital, que administra cerca de R$ 3 bilhões, o executivo avalia que o país enfrenta um impasse devido à complexidade de cortar gastos em áreas como saúde e educação.

Para Appel, o cenário das contas públicas é delicado e gera insegurança. Ele descreve o Brasil como um lugar para "não perder dinheiro", enquanto identifica os Estados Unidos como a principal fronteira para a geração de riqueza no momento.

O gestor contesta a ideia de que os juros atuais no país sejam altos o suficiente para conter a atividade econômica. Ele aponta que o desemprego em queda sinaliza que o Brasil cresce acima do seu potencial, o que poderia indicar um erro do Banco Central ao realizar cortes na taxa de juros.

Quais são os riscos para o mercado de crédito?

Um dos principais alertas de Appel reside na forte expansão dos fundos de crédito e de títulos incentivados. Segundo o executivo, o crescimento desses setores no passado sugere que os juros ficaram baixos demais.

O risco identificado é que uma eventual crise nesse mercado de crédito provoque um desabamento no crescimento econômico e uma desvalorização do câmbio. Em um eventual cenário de crise, o gestor prevê que a solução do governo seja o aporte de recursos para socorrer empresas.

Como estão as projeções para ouro e petróleo?

No setor de commodities, a Adam Capital mudou de posicionamento em relação ao ouro. Após lucrar com a valorização do metal no ano passado, o gestor agora projeta uma correção nos preços de, pelo menos, 30%.

Para o setor de petróleo, a visão é de queda nos preços. Appel justifica a perspectiva com o surgimento de novas fronteiras de produção, como na Venezuela, e o avanço da tecnologia de carros elétricos, que ele considera superior para o transporte.

O desempenho recente da gestora foi impulsionado majoritariamente pelo exterior. Segundo o executivo, cerca de 80% do resultado da casa veio de investimentos fora do Brasil, complementado por apostas na queda do ouro, no índice Nasdaq e na desvalorização do Ibovespa.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.