Especialistas debatem se vale a pena investir ou esperar o desfecho das eleições
Mercado projeta volatilidade e mudanças de direção nos preços conforme expectativas para o novo governo se ajustam.
Por Redação Diário Local
O primeiro turno das eleições ocorre em um mês, levantando o debate entre investidores sobre a conveniência de aportar recursos agora ou aguardar o desfecho do pleito para evitar a volatilidade do período.
Embora o cenário gere dúvidas, dados do UBS comparando a volatilidade da Bolsa, do câmbio e da renda fixa em anos eleitorais com a média histórica mostram a ausência de um padrão de estresse adicional consistente. No Ibovespa, a volatilidade média no primeiro trimestre de anos de eleição foi de 19%, enquanto a média histórica é de 23%. No terceiro trimestre, a média eleitoral foi de 20%, contra 21% da média histórica, desconsiderando os anos de 2008 e 2020.
Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos, concorda que a volatilidade não cresce de forma significativa, mas observa que o efeito eleitoral ocorre por meio de mudanças direcionais nos preços. Isso acontece conforme o mercado recalibra as expectativas para o próximo governo.
Como o mercado reage às pesquisas?
Pedro Carneiro, gestor de renda variável da Asset1, ressalta que, em setembro e outubro, o mercado reage intensamente a cada nova pesquisa de intenção de voto. O objetivo do setor é medir a probabilidade atribuída ao regime fiscal dos próximos anos, o que pode gerar movimentos bruscos de reprecificação rápida.
Por outro lado, Renato Nobile, CEO e CIO da Buena Vista Capital, observa que o momento atual apresenta mais oscilações do que pleitos anteriores. Ele cita uma sequência de 12 pregões de queda para o Ibovespa, encerrada em 19 de agosto, seguida de 11 altas consecutivas até esta quinta-feira (3).
O planejador financeiro Jeff Patzlaff alerta para o fator emocional, pontuando que, embora a volatilidade média possa ser similar à de outros anos, os solavancos em dias ou semanas específicos costumam ser muito mais intensos para o investidor.
Estratégias de alocação e estatais
Para reduzir riscos, Carneiro sugere priorizar ações com fluxo de caixa previsível e limitar a exposição a empresas estatais a 10% da carteira de ações, evitando o chamado "risco de manchete política". Ele recomenda realizar o investimento de forma fracionada, em três aportes até novembro, para diluir o risco de entrada.
Nobile reforça que as estatais são ativos muito expostos ao resultado das urnas, mas defende que o investidor não deve montar carteiras baseadas exclusivamente em previsões eleitorais, dada a dificuldade de prever o vencedor.
A Nomos Research oferece uma alternativa de diversificação com duas carteiras distintas. Para um cenário de vitória de Lula, a estratégia foca em exportadoras e empresas defensivas, como Suzano, WEG, BB Seguridade, Caixa Seguridade e TIM. Já para uma vitória de Flávio Bolsonaro, onde se projeta dólar abaixo de R$ 5 e queda nos juros, a recomendação inclui estatais e empresas cíclicas, como Petrobras, Banco do Brasil, Axia Energia, BTG Pactual e Cyrela.
O que esperar da renda fixa?
No segmento de renda fixa, há consenso sobre o espaço para títulos prefixados, em razão da expectativa de continuidade da queda da Selic. Atualmente, o mercado projeta a taxa básica em 13,75% para este ano e 12% para 2027.
As sugestões de montagem de carteira variam entre os especialistas. Leonardo Mendes propõe 30% em pós-fixados, 40% em IPCA+ e 30% em prefixados. Robson Casagrande sugere 25% em Tesouro Selic, 45% em IPCA+ (vencimentos 2029 a 2032) e 30% em prefixados (2029 a 2031). Já Patzlaff adota uma postura mais defensiva, com 70% em Tesouro Selic, 20% em IPCA+ e 10% em prefixados.
