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Economia

Especialistas alertam para evitar apostas em resultado de eleição ao investir na Bolsa

Especialistas recomendam cautela e diversificação para evitar o risco de concentrar a carteira em um único cenário político.

Por Redação Diário Local

Especialistas recomendam cautela para que o período entre o primeiro e o segundo turno das eleições não se torne uma aposta direta sobre o resultado das urnas. A orientação para o investidor é focar em estratégias de diversificação e rebalanceamento de carteira, evitando tentar prever o próximo movimento do índice após a recente reprecificação dos ativos.

Nesta quarta-feira (7), o Ibovespa iniciou o pregão com recuo de 0,2%, aos 205.360 pontos. Apesar da oscilação na abertura, o índice acumula alta de 7% na semana e de 10,3% no mês, refletindo o movimento de valorização ocorrido após o primeiro turno.

Para quem pretende entrar no mercado agora, o risco apontado por analistas é o de comprar ativos logo após uma valorização acelerada, quando parte das expectativas já está incorporada aos preços. O CEO da Azumi Investimentos, Edgar Araújo, destaca que um dos principais problemas é o receio de ficar de fora do mercado.

Riscos de entrar no mercado após o rali

Como alternativa para mitigar esse risco, a estratégia de diluir as entradas é frequentemente citada. Em vez de concentrar o capital em um único pregão, o investidor pode construir posições aos poucos, preservando liquidez para aproveitar possíveis correções de preço no caminho até a votação.

O analista Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, reforça que o perigo é comprar apenas os ativos que mais subiram recentemente. Na mesma linha, Gustavo Assis, CEO da Asset, pontua que, após um rali, os fundamentos e o preço real de cada empresa voltam a ganhar importância na tomada de decisão.

Para investidores com foco em curto prazo, a renda fixa apresenta uma alternativa atrativa. Com a taxa Selic em 13,75% ao ano, o custo de aguardar o segundo turno para tomar decisões na renda variável é considerado relativamente baixo por especialistas como Cristiano Luersen, da Wiser Investimentos.

A importância do rebalanceamento da carteira

Para quem já possui ativos na Bolsa, o cenário exige atenção ao tamanho da exposição. Cristiano Luersen explica que uma alta forte pode aumentar a fatia da Bolsa na carteira de forma involuntária, elevando o nível de risco acima do que foi planejado originalmente.

Nesses casos, o rebalanceamento surge como ferramenta para ajustar o patrimônio à estratégia do investidor. O ajuste pode envolver a redução parcial de posições, mas deve considerar o horizonte de investimento, o perfil de risco e os possíveis efeitos tributários de uma realização de lucros.

Para quem tem horizonte de longo prazo, a recomendação é que a entrada na renda variável possa ser feita de forma escalonada. O objetivo é garantir que a carteira seja capaz de atravessar diferentes cenários políticos e econômicos sem depender de uma única aposta no resultado das urnas.

Setores sensíveis e estratégia de diversificação

Em relação aos setores, há consenso sobre quais são mais sensíveis à queda de juros, como bancos, construção, consumo, saneamento e seguros. No entanto, especialistas divergem sobre o melhor momento para aumentar posições, já que parte dessa melhora pode já estar refletida nas cotações atuais.

Outra estratégia para reduzir a dependência de um único cenário é a utilização de empresas exportadoras como contrapeso. Companhias com receitas em moeda estrangeira podem equilibrar a carteira caso ocorra uma desvalorização do real ou aumento da percepção de risco no ambiente doméstico.

A diversificação entre ativos domésticos e empresas com faturamento externo ajuda a mitigar o impacto de variações bruscas no câmbio ou na atividade global. Embora não elimine riscos de commodities, essa medida diminui a exposição ao mesmo vetor que move o varejo e a construção.

O que pode influenciar a volatilidade até o segundo turno?

A volatilidade das próximas semanas deve ser influenciada por fatores que vão além das pesquisas eleitorais. Sinalizações sobre a trajetória da dívida pública, política fiscal e a capacidade de execução de propostas econômicas tendem a impactar a curva de juros e os ativos sensíveis ao custo de capital.

O cenário externo também permanece como variável relevante, com os juros americanos, o dólar e a percepção global de risco influenciando o mercado brasileiro. O risco principal, segundo Gustavo Assis, é confundir a reação ao primeiro turno com uma certeza sobre o comportamento do mercado nas próximas semanas.

O investidor deve, portanto, manter a atenção aos fundamentos. A estratégia apontada pela maioria dos especialistas passa menos por tentar acertar o próximo movimento do Ibovespa e mais por manter uma carteira capaz de atravessar diferentes cenários sem depender de uma única tese.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.