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Indústria

Fábrica da Isover encerra produção em São Paulo após 75 anos de atividade no Brasil

Unidade de Santo Amaro deixará de produzir materiais de isolamento térmico para atuar com importação e logística.

Por Redação Diário Local

A fabricante de soluções de isolamento térmico e acústico, Isover, encerrou definitivamente suas atividades industriais no Brasil. A única unidade da empresa no país, localizada no bairro de Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, desligou suas máquinas em julho de 2026 e deixou de fabricar os produtos que abasteciam o mercado nacional.

A decisão marca o fim de uma trajetória iniciada em 1951, totalizando aproximadamente 75 anos de operação industrial em território brasileiro. A multinacional, que pertence ao grupo francês Saint-Gobain, passará a suprir a demanda nacional por meio da importação de materiais fabricados em outras unidades da companhia ao redor do mundo.

A interrupção das atividades ocorreu após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de São Paulo e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em dezembro de 2025. O documento estabeleceu as etapas para o encerramento da unidade, incluindo a desmobilização de equipamentos e a desativação da estrutura.

Como funcionará o abastecimento?

Com o fim da fabricação local, os produtos da Isover continuarão sendo comercializados no Brasil, mas serão fornecidos por fábricas instaladas no exterior. O grupo francês possui cerca de 60 unidades industriais distribuídas em 28 países, o que garantirá a continuidade do estoque para construtoras e indústrias.

A estrutura física em Santo Amaro não será desativada por completo de imediato. Parte do complexo será adaptada para funções logísticas, como organização de estoques e distribuição das mercadorias importadas, mantendo a presença da marca no país através de operações comerciais.

O cronograma de desativação prevê que os procedimentos técnicos, a retirada de maquinário e a desmontagem de estruturas possam se estender até 2028.

Impacto no emprego e histórico

O fechamento da produção envolveu cerca de 150 profissionais, sendo 100 funcionários diretamente ligados às operações industriais e 50 prestadores de serviço terceirizados. A empresa não confirmou o número exato de demissões, uma vez que a transição para o modelo logístico pode possibilitar o aproveitamento de parte da mão de obra.

Antes do encerramento, a unidade enfrentou questionamentos de moradores da região sobre impactos ambientais, como ruídos, odores e emissões de fumaça. A Cetesb identificou irregularidades relacionadas à emissão de poluentes atmosféricos entre 2023 e 2025, o que levou a empresa a realizar melhorias em equipamentos de controle e restrições de operação em períodos noturnos e fins de semana.

A Isover afirmou, contudo, que cumpria as exigências ambientais e que não houve comprovação de problemas de saúde entre seus colaboradores causados pelas atividades industriais. Apesar do fechamento desta unidade, o grupo Saint-Gobain manterá outras operações industriais funcionando no Brasil.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.