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Economia

Itaú BBA projeta crescimento de lucros de empresas brasileiras no 2T26, mas alerta para desigualdade

Banco vê expansão de ganhos concentrada em commodities, enquanto juros elevados limitam potencial de empresas domésticas.

Por Redação Diário Local

A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) deve confirmar um cenário de crescimento dos lucros das empresas brasileiras, embora com uma qualidade considerada desigual, conforme projeções do Itaú BBA. O banco avalia que, apesar da resiliência operacional, a expansão dos ganhos permanece concentrada em companhias ligadas ao setor de commodities, o que gera um desequilíbrio no desempenho do mercado.

De acordo com os estrategistas do banco, o ambiente de juros elevados limita o potencial de aceleração das companhias voltadas ao consumo doméstico. Enquanto as estimativas de lucro para o complexo de commodities avançaram 42,3% nos últimos 12 meses, as revisões para empresas financeiras e ligadas à economia doméstica seguem sob pressão.

Para o índice Ibovespa, as projeções indicam crescimento de 11,9% na receita, 22,7% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) e 18,4% no lucro líquido na comparação anual. Quando o setor de commodities é excluído do cálculo, os números mostram uma evolução mais moderada: alta de 9,4% na receita, 11,4% no Ebitda e 12,1% no lucro líquido.

O cenário macroeconômico também apresenta desafios para o período. Embora o Banco Central tenha reduzido a taxa Selic para 14,25%, as expectativas de inflação e juros futuros pioraram. O mercado passou a projetar a taxa básica de juros em 14% para o fim de 2026, enquanto as previsões para o IPCA (índice oficial de inflação) subiram para 4,92%.

Quais são os setores em destaque e em queda?

O setor de óleo e gás é apontado como o principal motor dos resultados corporativos, com expectativa de crescimento de 55,3% no Ebitda e de 79,9% no lucro líquido. Outros segmentos com desempenho sólido esperado incluem utilities (serviços básicos), transportes, logística e bancos, que deve apresentar alta de 6,5% nos lucros.

Na contramão, os segmentos de mineração, siderurgia e de papel e celulose são pontos de preocupação. A projeção é de que o lucro líquido das empresas de mineração e aço recue 17,2% na comparação anual, enquanto o Ebitda do setor de papel e celulose deve cair 23,4%.

Quais empresas são destaque na temporada?

O Itaú BBA elenca cinco empresas com potencial de resultados fortes. A Embraer tem projeção de crescimento de 11,2% na receita e de 14% no Ebitda, com lucro líquido estimado em US$ 152 milhões. O BTG Pactual também é destaque, com expectativa de retorno sobre patrimônio (ROE) de 25,3% e expansão de 27% na carteira de crédito corporativo.

No varejo, os estrategistas destacam a Smart Fit, impulsionada pelo crescimento do TotalPass, e a RD Saúde, que deve registrar receita próxima de R$ 12,7 bilhões. Na siderurgia, a Gerdau é considerada o destaque da temporada, com expectativa de expansão de margem para o terceiro trimestre de 2026 (3T26).

Em contrapartida, nomes como Vale, CSN Mineração e Aura Minerals são monitorados com expectativas negativas devido a custos elevados e preços. Empresas voltadas ao consumo, como Natura, Grupo Mateus e Vivara, também enfrentam desafios no cenário atual.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.