Dividendos de empresas brasileiras crescem 12,8% no 2º trimestre e lideram ganhos na América Latina
Distribuição de lucros no Brasil atingiu US$ 4,4 bilhões no segundo trimestre, superando o crescimento da América Latina e do mercado global
Por Redação Diário Local
As empresas brasileiras pagaram US$ 4,4 bilhões em dividendos no segundo trimestre deste ano, um crescimento de 12,8% em comparação ao mesmo período de 2025. O resultado posicionou o Brasil na liderança dos ganhos para acionistas na América Latina, de acordo com o Índice Global de Dividendos e Recompras da Janus Henderson.
O avanço do Brasil superou o índice da América Latina, que cresceu 1,7% (totalizando US$ 11,7 bilhões), e também o do mercado global, que apresentou alta de 7,3%, chegando a US$ 757,8 bilhões no segundo trimestre.
Quem liderou a distribuição de lucros?
No levantamento da gestora britânica Janus Henderson, a JBS NV figurou como destaque no valor distribuído, superando a Petrobras ao considerar individualmente as ações ordinárias e preferenciais. A gigante do setor de carnes foi apontada como uma das principais contribuintes para o crescimento do país, com o valor pago por ação subindo de US$ 0,35 no segundo trimestre de 2025 para US$ 1,00 neste ano.
Após a JBS, aparecem na lista a Telefônica Brasil e o setor bancário. No entanto, o cenário muda quando se utilizam dados de outras fontes: segundo a consultoria Elos Ayta, ao somar os dividendos das ações preferenciais e ordinárias da Petrobras, o valor total de R$ 7,675 bilhões supera os R$ 5,251 bilhões pagos pela JBS.
Os números da Janus Henderson utilizam dados subjacentes, que desconsideram efeitos sazonais, inflação ou distorções extraordinárias, focando em dividendos regulares.
Crescimento nas recompras de ações
Além dos dividendos, o relatório da Janus Henderson destacou o aumento nas recompras de ações, quando as companhias compram seus próprios papéis para aumentar o dividendo por ação. No Brasil, as recompras atingiram US$ 1,1 bilhão no segundo trimestre, consolidando a liderança nacional na América Latina.
O movimento no país refletiu a queda nos preços dos papéis em bolsa após o início do conflito envolvendo o Irã. No cenário global, as recompras alcançaram R$ 572 bilhões no período, uma alta de 26,8% em relação ao ano anterior, com o setor de tecnologia liderando o movimento com R$ 121,1 bilhões.
Para Jane Shoemake, responsável por ações de países emergentes da Janus Henderson, o aumento das recompras oferece flexibilidade para as companhias reagirem conforme mudam suas prioridades. Ela exemplifica que bancos têm utilizado esse recurso sem se comprometer com aumentos permanentes de dividendos no futuro.
