Ibama emite 850 licenças ambientais em 2025, alta de 51% em relação ao ano anterior
Volume de 850 liberações federais é o maior da última década e coincide com expansão de projetos de infraestrutura e logística
Por Diário Local
O Brasil registrou, em 2025, o maior volume de emissões de licenças e autorizações ambientais da última década. Segundo dados do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), foram realizadas 850 liberações federais no período, o que representa uma alta de 51% em relação ao ano anterior.
O aumento nas autorizações coincide com a expansão de projetos de logística, infraestrutura e transição energética. O movimento também é impulsionado pelas discussões em torno da nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que busca reduzir gargalos para obras estruturantes no país.
O licenciamento ambiental funciona como um sistema de avaliação de impactos, riscos e medidas mitigadoras antes da instalação de grandes empreendimentos. O objetivo é compatibilizar atividades potencialmente poluidoras com a proteção ambiental e social.
Quais setores lideraram as liberações?
As estruturas rodoviárias lideraram o ranking de emissões no último ano, com 188 licenças concedidas. O setor de petróleo e gás ocupou a segunda posição, com 166 liberações registradas pelo órgão federal.
Outros setores com alto volume de autorizações foram o de usinas hidrelétricas, com 87 licenças, e o de sistemas de transmissão, com 80. As pesquisas sísmicas para exploração energética também figuraram no levantamento, com 65 liberações.
Esses ramos de atividade são caracterizados pelo potencial de impacto territorial e pressão sobre recursos naturais. Por esse motivo, exigem estudos multidisciplinares extensos, monitoramento contínuo e articulação entre diferentes órgãos públicos.
Por que o aumento gera preocupação técnica?
Apesar do crescimento no volume de licenças, o sistema ambiental enfrenta limitações de estrutura operacional. O Ibama acumula quase 4 mil processos em andamento, o que pressiona as equipes técnicas responsáveis pelas análises complexas.
Especialistas alertam que a aceleração de etapas, quando não acompanhada de capacidade de fiscalização, pode elevar o risco de judicialização. Problemas detectados tardiamente na fase de operação costumam retornar na forma de paralisações e conflitos territoriais.
Empreendimentos aprovados com avaliações consideradas pouco robustas podem sofrer questionamentos do Ministério Público e disputas judiciais. Esse cenário gera insegurança regulatória, resultando em custos mais elevados para empresas, para o poder público e para a sociedade.
