Polinização por abelhas pode gerar R$ 4,2 bilhões por ano para economia de São Paulo
Estudo aponta que redução do déficit de polinização pode trazer ganhos econômicos e impulsionar a produção agrícola paulista.
Por Redação Diário Local
A polinização realizada por abelhas pode gerar ganhos de até R$ 4,2 bilhões por ano para a economia de São Paulo. O dado é fruto de um estudo desenvolvido no âmbito do BIOTA Síntese, realizado em parceria entre a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a Universidade de São Paulo (USP) e outras instituições.
A pesquisa mapeou a oferta e a demanda pelo serviço de polinização no território paulista e aponta que a conservação e a recuperação da vegetação nativa próxima a áreas agrícolas são estratégias fundamentais para ampliar o fluxo de polinizadores e favorecer a produção agrícola.
A relação entre as áreas naturais e o setor agrícola é considerada especialmente relevante para as abelhas do gênero Melipona. Espécies como a uruçu-amarela-do-cerrado, a uruçu-amarela da Mata Atlântica, a manduri e a guaraipo-amarela estão entre as acompanhadas por programas de monitoramento e são classificadas como ameaçadas de extinção.
Como funciona o monitoramento das espécies?
O Programa Abelhas Nativas da Fundação Florestal (PAN-FF), criado em 2020, atua hoje em mais de 25 Unidades de Conservação. O levantamento do programa identificou que as áreas administradas pela Fundação abrigam 32 espécies de abelhas nativas sem ferrão, o que corresponde a 51% das espécies desse grupo registradas no estado de São Paulo.
Além das abelhas sem ferrão, os levantamentos já identificaram 41 espécies de abelhas solitárias nas áreas protegidas. Para apoiar o estudo e a reprodução, o programa mantém cerca de 192 caixas racionais e prevê a criação de 30 meliponários educativos.
Segundo Gustavo Feliciano Alexandre, gestor da APA do Carmo e coordenador do PAN-FF, o conhecimento sobre a distribuição das espécies e sua relação com os ambientes é essencial para orientar as estratégias de conservação.
Geração de renda e bioeconomia
A preservação dos polinizadores também está sendo integrada a ações de bioeconomia. O objetivo é aproximar a conservação da restauração da Mata Atlântica e do Cerrado da geração de renda para pequenos produtores e comunidades tradicionais.
Um dos exemplos é o PSA Juçara, voltado ao manejo sustentável da palmeira-juçara (Euterpe edulis). As abelhas participam da polinização da planta, auxiliando na formação de frutos e sementes, enquanto a criação racional dos insetos pode servir como atividade complementar para as famílias. Atualmente, 61 famílias participam das ações integradas por meio de caixas de abelhas nativas.
Com as edições do programa, a expectativa é atingir cerca de 3.400 colônias de abelhas nativas até 2030. Segundo o diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz, a integração entre restauração e bioeconomia busca fazer com que a proteção da biodiversidade produza benefícios econômicos e sociais nos territórios onde as áreas protegidas estão inseridas.
