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STF homologa plano que moderniza a CVM, amplia quadro e adota IA na fiscalização

A autarquia receberá reforço de pessoal, infraestrutura tecnológica e ferramentas de inteligência artificial para acompanhar a sofisticação do mercado de capitais brasileiro.

Por Diário Local

O Supremo Tribunal Federal (STF) homologou nesta sexta-feira (3) o plano emergencial de reestruturação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), abrindo caminho para contratação de servidores, modernização tecnológica e expansão do uso de inteligência artificial na supervisão do mercado de capitais.

Segundo a autarquia, o objetivo é fortalecer a capacidade institucional para enfrentar um mercado cada vez mais complexo e digital. "A homologação do plano pelo STF inaugura uma nova etapa para a CVM. Trata-se de um passo fundamental para fortalecer nossa capacidade institucional, valorizar as pessoas que fazem parte da autarquia e preparar a CVM para responder, com ainda mais eficiência, aos desafios de um mercado de capitais cada vez mais robusto, dinâmico e relevante para o desenvolvimento do país", afirmou Otto Lobo, presidente da CVM.

O plano prevê a redução do estoque de processos, fortalecimento da equipe técnica e maior integração com órgãos do governo como Banco Central, Receita Federal e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A recomposição do quadro de pessoal ocorrerá de forma gradual, com nomeação de novos servidores e aproveitamento de candidatos aprovados em concursos públicos anteriores.

A modernização da infraestrutura tecnológica inclui ampliação do uso de inteligência artificial e ferramentas de análise de dados. O reforço da cooperação institucional com órgãos federais visa intensificar ações de supervisão e fiscalização do mercado de capitais em um ambiente cada vez mais digital.

Entre as prioridades está o avanço da tokenização como instrumento para ampliar a rastreabilidade das operações. Segundo Lobo, essa medida fortalece o combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado. "A articulação entre CVM, Banco Central, Receita Federal e Coaf sobre um 'efetivo controle' do sistema financeiro e do mercado de capitais não é retórica de discurso judicial. É um mandado institucional", destacou.

O presidente da CVM afirmou que a tokenização deixa de ser apenas uma pauta de modernização de mercado e passa a ser lida como política pública de Estado voltada ao combate à corrupção e ao crime organizado.

O plano homologado pelo STF se estrutura em quatro eixos principais: celeridade processual, com redução do estoque de processos e aumento da capacidade de julgamento; recomposição de capital humano e integração tecnológica; inteligência interinstitucional; e supervisão preventiva sobre zonas cinzentas do mercado.

Todos os quatro eixos convergem para um mesmo desafio institucional. "A CVM fiscaliza hoje um mercado que se tornou mais rápido, mais fragmentado e mais opaco do que a sua própria capacidade de rastreamento", ressaltou Lobo.

Lobo destacou que a tokenização do mercado de capitais, associada a sistemas de supervisão com inteligência artificial de titularidade e governança da própria CVM, é o caminho mais direto para transformar os eixos homologados em capacidade concreta. O objetivo é rastrear, identificar e reprimir o uso do mercado de capitais como vetor de lavagem de recursos e financiamento de organizações criminosas.

Com a homologação, a CVM dará continuidade às medidas previstas no plano em articulação com órgãos competentes. Além das medidas emergenciais, a autarquia terá de apresentar ao STF um plano de médio prazo para consolidar sua modernização institucional.

A iniciativa coincide com os 50 anos da criação da CVM e sinaliza uma tentativa de reposicionar o regulador para acompanhar a sofisticação do mercado de capitais brasileiro. A medida busca reforçar a proteção aos investidores e aumentar a capacidade de fiscalização em um ambiente marcado pela digitalização dos ativos e pelo avanço das novas tecnologias financeiras.

A CVM reiterou compromisso com a excelência regulatória, a proteção dos investidores e o desenvolvimento sustentável do mercado de capitais. A autarquia informou que dará continuidade às medidas previstas no plano em articulação com órgãos competentes do governo.

A modernização é essencial para que a CVM acompanhe a complexidade crescente do mercado. Com servidores reforçados, tecnologia atualizada e maior coordenação interinstitucional, a autarquia busca cumprir o mandato determinado pelo STF como condição para a continuidade do funcionamento pleno da autarquia.

A homologação marca um reconhecimento do Poder Judiciário sobre a urgência da modernização regulatória no Brasil. Para Lobo, o plano representa um passo decisivo na transformação da CVM em uma instituição preparada para os desafios do mercado de capitais do século 21.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.