Mais de 4 mil produtos exportados para os EUA podem sofrer novo tarifaço, alerta CNI
Confederação Nacional da Indústria estima que cobrança de impostos pode somar 37,5% e afetar US$ 14,9 bilhões em exportações
Por Diário Local
Mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos podem ser afetados caso o governo americano imponha tarifas de 25% sobre as mercadorias. A estimativa foi divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (6/7), representando um impacto de US$ 14,9 bilhões em exportações.
As taxas foram sugeridas pelo Escritório do Representante de Comércio (USTR) com base em uma alegada prática de comércio desleal por parte do Brasil. Atualmente, os 4,1 mil itens listados já estão sujeitos a uma tarifa adicional de 10% prevista pela legislação norte-americana, válida até 24 de julho.
Caso as negociações entre os dois países não avancem, o Brasil poderá enfrentar uma sobretaxa combinada que chega a 37,5%. Esse valor é a soma de uma nova tarifa de 25%, sugerida pelo USTR, e de uma taxa de 12%, motivada por acusações de trabalho escravo no país.
Como funciona o risco para os produtos brasileiros?
Entre os itens que podem sofrer o impacto das novas taxas estão o açúcar de cana em forma sólida, o álcool etílico não desnaturado, o ferro-gusa não ligado, o tabaco curado por fumaça ou processado e o hidróxido de alumínio.
Ricardo Alban, presidente da CNI, afirmou que, entre os 13 principais produtos que seriam impactados pela taxa, o Brasil é o maior fornecedor para a economia dos Estados Unidos em 11 deles. A entidade defende a manutenção de um trabalho técnico para tentar convencer as autoridades americanas durante o processo.
Representantes da indústria e do agronegócio brasileiros estão em Washington para participar de uma audiência pública sobre o tema. O objetivo é apresentar provas de que o Brasil não oferece ameaça ao mercado norte-americano.
Próximos passos nas negociações
O governo brasileiro tem intensificado diálogos com representantes dos Estados Unidos para evitar a aplicação das novas taxas. O prazo final para que o governo americano tome uma decisão sobre o aumento das tarifas é o dia 15 de julho.
O presidente da CNI reuniu-se nesta segunda-feira com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para tratar do assunto. A entidade reforçou a importância de manter o diálogo dentro de uma lógica técnica diante do cenário geopolítico envolvido.
