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Secretário da Fazenda diz que taxa real de títulos públicos a 8% ao ano preocupa, mas Tesouro está pronto para agir

Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, afirmou que a equipe monitora continuamente o mercado e pode fazer recompras de títulos se necessário preservar a liquidez.

Por Diário Local

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, expressou preocupação com a taxa real dos títulos públicos indexados à inflação (NTN-B), que supera 8% ao ano. Ao mesmo tempo, reafirmou que o Tesouro Nacional está preparado para intervir no mercado caso julgue necessário preservar a liquidez e garantir acesso dos investidores.

Ceron criticou interpretações que atribuem a alta das taxas exclusivamente a questões fiscais, descrevendo esse tipo de leitura como superficial e "pobre". "Claro que me preocupa a taxa a 8%. O que eu combato é o argumento superficial. Existe uma necessidade de a gente trabalhar juntos, como país, para ter um nível de taxa de juros menor", disse ele.

Segundo o secretário, a equipe responsável pela administração da dívida monitora continuamente as condições do mercado de títulos públicos. O Tesouro pode acionar recompras de NTN-B se entender que é preciso garantir uma "porta de saída" aos investidores em momentos de pressão.

"Se precisar recomprar forte, não há problema nenhum. O Tesouro está preparado", afirmou Ceron. A eventual atuação do órgão no mercado será de natureza técnica e dependerá das condições de liquidez observadas.

Em março, durante período de volatilidade nos mercados financeiros, o Tesouro realizou intervenções superiores a R$ 47 bilhões em títulos públicos. As operações ajudaram a conter a elevação dos juros reais e demonstram a capacidade operacional do órgão para estabilizar o mercado quando necessário.

A taxa real das NTN-B reflete a remuneração além da inflação oferecida pelos títulos e é considerada um indicador importante da confiança dos investidores nas perspectivas econômicas do país. Níveis acima de 8% ao ano são raros na história desses papéis e costumam aparecer em períodos de incerteza fiscal ou econômica.

Ceron sinalizou que o governo reconhece a necessidade de reduzir o patamar geral de juros da economia, o que dependeria de esforços coordenados entre governo e mercado para melhorar a percepção de sustentabilidade fiscal.

A posição do secretário-executivo reforça o compromisso do Tesouro com a estabilidade do mercado de dívida pública, deixando clara a disposição de usar instrumentos técnicos de gestão da dívida sempre que necessário para evitar movimentos desordenados nas taxas.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.