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Cidade de 7 mil moradores foi a 3ª que mais recebeu emendas Pix; PF investiga irregularidades

Auditoria da CGU identificou todas as cinco obras fiscalizadas paralisadas e apontou falhas em planejamento, transparência e controle dos recursos federais.

Por Diário Local

São Luiz do Anauá, município de Roraima com 7.315 habitantes, foi o terceiro maior destinatário de emendas Pix do país entre 2020 e 2024, recebendo quase R$ 90 milhões em recursos federais. A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3 de julho) a Operação Acesso Negado para investigar suspeitas de irregularidades na aplicação desses repasses.

A investigação originou-se de uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), que identificou falhas graves no planejamento, na transparência e no controle dos recursos. Os achados levaram a PF a focar em possíveis crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro.

As emendas investigadas foram indicadas pelo deputado Nicoletti (União-RR), pelo senador Dr. Hiran (PP-RR), pelo ex-senador Telmário Mota e pelo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus. Os quatro parlamentares não são alvos da operação porque, segundo a PF, não há indícios de participação direta nas irregularidades até o momento.

Obras paralisadas e inacabadas

Entre 20 e 21 de março de 2025, auditores da CGU vistoriaram cinco obras financiadas total ou parcialmente com emendas Pix em São Luiz do Anauá. Todas estavam paralisadas, com execução incompleta ou ausente.

Os auditores encontraram obras de pavimentação inacabada, calçadas, sarjetas e meio-fio sem execução ou apenas parcialmente concluídos. A sinalização de vias urbanas também apresentava deficiências. Duas estruturas de maior visibilidade também permaneciam inconclusas: o portal de entrada da cidade e a Praça dos Buritis, localizada na sede municipal.

Operação e alcance nacional

A Polícia Federal cumpre 41 mandados de busca e apreensão nos estados de Roraima, Bahia, São Paulo e Tocantins. Os alvos são gestores municipais, empresas e empresários suspeitos de envolvimento em obras não executadas, mal executadas ou superfaturadas.

As ordens foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, relator da ação sobre a transparência das emendas Pix no Supremo Tribunal Federal. A operação ocorre no âmbito das investigações sobre o uso dessas emendas parlamentares destinadas a aplicações em municípios.

Além de São Luiz do Anauá, a investigação também abrange o município de Iracema, que ocupa a quinta posição entre os maiores destinatários de emendas Pix no país no período de 2020 a 2024, com R$ 55,7 milhões em repasses recebidos.

Os investigadores apontam possível prática de crimes contra a administração pública, fraude em licitações, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros delitos que possam vir a ser identificados ao longo das investigações.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.