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Economia

Taxas de juros DI fecham com altas leves após decisão do Fed e influência do petróleo

Contratos de juros futuros no Brasil registraram elevação ao fim da sessão, pressionados pela postura do Fed e altas no petróleo.

Por Redação Diário Local

As taxas de juros para os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sessão desta quarta-feira (29) com altas leves, após apresentarem volatilidade durante a tarde. O movimento no mercado brasileiro foi influenciado pela decisão dividida do Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos, e pela alta do petróleo no exterior, que superou os US$ 90 o barril.

No final da tarde, a taxa do DI com vencimento em janeiro de 2028 fechou em 13,995%, uma alta de 2 pontos-base em relação ao ajuste de 13,976% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o contrato para janeiro de 2035 registrou 14,68%, um aumento de 4 pontos-base frente aos 14,64% do pregão anterior.

A oscilação ocorreu após os juros terem perdido força durante a tarde, em meio aos comentários do presidente do Fed, Kevin Warsh. O mercado reagiu à decisão da autoridade monetária americana de manter a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, mas com uma divisão interna: nove membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) votaram pela manutenção, enquanto três defenderam um aumento de 25 pontos-base.

Em entrevista coletiva, Warsh reforçou o compromisso da instituição com a meta de inflação de 2% e afirmou que o Fed não hesitará em agir caso necessário. Durante sua fala, os rendimentos dos Treasuries (títulos de dívida dos EUA) de curto prazo perderam força, o que gerou um movimento de queda nas taxas dos DIs no Brasil antes da retomada das altas no fim do dia.

O cenário externo também foi marcado pelo avanço do petróleo Brent, que ganhou suporte devido às preocupações com o efeito inflacionário de conflitos no Oriente Médio. Segundo o sócio e diretor de gestão da Aware Investments, Gabriel Redivo, a postura de parte dos dirigentes do Fed, que defendem medidas mais restritivas, pressiona as curvas de juros, inclusive em mercados emergentes como o Brasil.

No plano doméstico, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) trouxeram novas variáveis para o fechamento. O levantamento apontou a abertura de 145.161 vagas formais de trabalho em junho, número superior aos 115.000 postos projetados por economistas. Contudo, o saldo representou o menor ritmo de criação de vagas para o mês desde 2020.

Para o economista Rodolfo Margato, da XP, os números indicam uma desaceleração do mercado de trabalho brasileiro em vez de uma contração imediata. O setorista projeta que o ritmo médio de criação de empregos formais no país arrefecerá de aproximadamente 110 mil vagas por mês em 2025 para 80 mil por mês em 2026.

A volatilidade do dia também refletiu o desempenho dos títulos americanos. Às 16h47, o rendimento do Treasury de dois anos, que baliza as apostas para os juros de curto prazo, apresentava queda de 4 pontos-base, cotado a 4,234%, enquanto o retorno do rendimento de dez anos subia 6 pontos-base, para 4,665%.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.