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Volkswagen planeja cortar até 100 mil empregos e fechar quatro fábricas na Alemanha

Plano de reestruturação marca intensificação do programa de redução de custos da montadora sob pressão de fabricantes chinesas.

Por Diário Local

A Volkswagen planeja cortar até 100 mil empregos e encerrar a produção em quatro fábricas na Alemanha, segundo divulgação do jornal Financial Times nesta sexta-feira (26). O plano eliminaria quase um em cada seis dos cerca de 625 mil empregos da empresa no mundo.

Se confirmado, o programa se tornaria um dos maiores da história da indústria automóvel. Superaria os 74 mil empregos cortados pela General Motors nos anos 1990 e os 60 mil eliminados pela IBM em 1993.

A reestruturação marca uma intensificação do programa de redução de custos da Volkswagen, pressionada pelo rápido avanço das montadoras chinesas no mercado global. A empresa já havia anunciado a intenção de eliminar 50 mil empregos na Alemanha até o fim de 2030, mas a nova proposta pode levar ao corte de mais 50 mil postos de trabalho além dos previamente anunciados.

Fábricas que podem fechar

As novas medidas preveem o encerramento da produção em outras quatro fábricas: as unidades da Volkswagen em Emden, Zwickau e Hanover, além de uma fábrica da Audi em Neckarsulm. Esse plano segue anteriores encerramentos e vendas, como o fechamento de uma fábrica pequena em Dresden e buscas por comprador para a unidade em Osnabrück.

O presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, busca enxugar a estrutura do grupo para concentrar esforços no negócio principal de automóveis. A empresa também prevê vender outros ativos para reforçar o caixa, diante da crescente pressão sobre o setor.

Contexto das medidas

A Volkswagen afirma que tarifas impostas pelos Estados Unidos, o conflito no Oriente Médio e a deterioração do mercado chinês tornaram necessárias novas medidas. No fim de 2024, a empresa fechou um acordo histórico com os sindicatos para reduzir empregos e capacidade produtiva na Alemanha.

As novas medidas de reestruturação vêm logo após a venda da divisão de motores marítimos Everllence para a gestora americana Bain Capital, operação que deve render 7,4 bilhões de euros à companhia. A empresa estabeleceu como meta economizar 6 bilhões de euros por ano até 2030 com a reestruturação.

Reação dos sindicatos

Os detalhes divulgados pela imprensa provocaram forte reação dos representantes dos trabalhadores. "Se esses planos forem levados adiante, nós nos oporemos com toda a nossa força", afirmaram Daniela Cavallo, presidente do conselho de trabalhadores da Volkswagen, Christiane Benner, presidente do sindicato IG Metall, e Thorsten Groeger, líder sindical da Baixa Saxônia.

A Volkswagen se recusou a comentar o novo plano, cujos detalhes devem ser apresentados ao conselho de supervisão da companhia em 9 de julho. A empresa afirmou que os assuntos em questão serão discutidos e aprovados pelos órgãos competentes de governança.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.