Estreia de 'A Odisseia' de Christopher Nolan reaquece debate sobre adaptações literárias no cinema
Com o lançamento de 'A Odisseia', especialistas explicam as diferenças de linguagem entre a literatura e o audiovisual.
Por Davy Albuquerque
A estreia do filme “A Odisseia”, dirigido por Christopher Nolan, reacendeu o debate sobre o processo de transição de obras literárias para o formato audiovisual. A produção, que utiliza a tecnologia IMAX, narra a jornada do guerreiro grego Odisseu em busca de seu retorno para casa após a Guerra de Tróia, baseando-se no poema épico de Homero.
O lançamento da obra, que conta com um elenco estrelado por Matt Damon, Robert Pattinson e Zendaya, destaca a longevidade das histórias clássicas. A trama de “A Odisseia” é uma das mais antigas da humanidade e já serviu de base para mais de 30 adaptações diferentes ao longo dos anos.
A movimentação no setor cinematográfico traz à tona questionamentos sobre o que define uma adaptação e como os roteiristas lidam com as disparidades entre as linguagens da leitura e da imagem. O debate envolve desde escolhas técnicas até decisões comerciais de grandes estúdios.
Como funciona a adaptação de um livro para o cinema?
O processo de transformar literatura em filme exige profundas adequações de linguagem. Segundo Érika Savernini, diretora da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e especialista em roteirização audiovisual, não existe uma adaptação totalmente fiel devido à natureza distinta das mídias.
Diferente do texto escrito, que permite ao leitor uma abstração maior — onde uma palavra pode evocar imagens subjetivas —, o cinema exige definições visuais exatas. No audiovisual, é necessário escolher o tipo específico de cenário, a iluminação e o momento do dia para construir a narrativa técnica.
Além da parte técnica, o desenvolvimento de uma adaptação é influenciado pelo contexto de produção. O volume de investimento, o direcionamento comercial do estúdio e o perfil do público-alvo são fatores determinantes que podem causar mudanças na história original para otimizar a experiência do espectador.
Exemplos de produções inspiradas em livros
A literatura tem servido de base para grandes franquias de sucesso. A série de filmes “Bridget Jones” é inspirada em obras de Jane Austen, com títulos disponíveis em plataformas de streaming como o Disney+. No gênero de ficção científica, a saga “Duna”, baseada nos livros de Frank Herbert, possui uma versão recente dirigida por Denis Villeneuve, com a terceira parte prevista para dezembro deste ano (2026).
Outro exemplo de impacto é a trilogia “Jogos Vorazes”, que agora expande seu universo com a adaptação “Jogos Vorazes – Amanhecer na Colheita”, cujas estreias estão previstas para 2026. Já no campo das animações, “Robô Selvagem”, inspirado na obra de Peter Brown, recebeu indicações ao Oscar em 2025.
Na produção nacional, o filme “Capitães de Areia” (2011) adapta o romance de Jorge Amado para mostrar a vida de jovens abandonados em Salvador. Há também o sucesso de público “É assim que acaba”, baseado no livro de Colleen Hoover, que teve forte repercussão nos cinemas brasileiros recentemente.
