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Literatura

Afonso Borges celebra 40 anos do projeto Sempre um Papo e destaca impacto da literatura

Idealizador do projeto relembra encontros com grandes nomes da literatura e a evolução do evento desde 1986, em Belo Horizonte.

Por Redação Diário Local

O idealizador do projeto Sempre um Papo, Afonso Borges, celebra a trajetória de 40 anos da iniciativa, que busca aproximar escritores e leitores por meio do diálogo direto. Criado em 1986, em Belo Horizonte, o projeto evoluiu de encontros em bares para uma estrutura que envolve teatros, universidades e festivais literários.

Borges relembra que o projeto surgiu em um contexto de efervescência cultural após o período da ditadura. A proposta original era simples: promover um bate-papo onde o público presente realizasse as perguntas aos autores. Frei Betto foi o primeiro convidado a participar do projeto.

Ao longo das décadas, a iniciativa expandiu sua atuação para escolas e cidades que raramente recebiam autores, com o objetivo de integrar a literatura ao cotidiano e formar novos leitores. Atualmente, o Sempre um Papo é considerado uma instituição cultural, possuindo acervo audiovisual e realizando quatro festivais literários.

Momentos marcantes na trajetória

A história do projeto é marcada por encontros com grandes nomes da literatura mundial. Borges cita, por exemplo, a visita de José Saramago ao Palácio das Artes, em Belo Horizonte, antes de receber o Prêmio Nobel, evento que mobilizou uma grande multidão no teatro.

Outras lembranças significativas incluem interações com Mario Vargas Llosa, sobre a obra de Guimarães Rosa, e a presença de Darcy Ribeiro, que realizava sessões de autógrafos para grandes filas. O idealizador também destaca encontros com Fernando Sabino, Ziraldo e Ferreira Gullar como partes fundamentais da construção cultural do projeto.

Para Borges, além dos grandes autores, momentos como o de uma criança de escola pública fazendo sua primeira pergunta a um escritor são tão emocionantes quanto as visitas de celebridades literárias.

Adaptação ao meio digital

A tecnologia alterou a forma como a literatura circula e como o público se relaciona com os autores. Se em 1986 a divulgação dependia de jornais, rádio e cartazes, hoje o alcance é global por meio da internet.

O Sempre um Papo integrou as plataformas digitais e hoje possui um canal no YouTube com mais de 120 mil inscritos. Segundo Borges, o digital não substitui o encontro presencial, mas funciona de forma complementar, permitindo que conversas realizadas há anos continuem acessíveis para consulta.

O maior desafio enfrentado nas quatro décadas de existência foi manter a continuidade do projeto, atravessando crises econômicas, mudanças de governo e as transformações do mercado editorial.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.