Pintor e restaurador Edson Motta deixa legado de modernismo em igrejas de Minas Gerais
Artista juiz-forano uniu técnica de restauração científica e modernismo em obras religiosas de Barbacena e região
Por Davy Albuquerque
O pintor e restaurador Edson Motta deixou um legado marcado pela união entre o apuro técnico e a introdução de temas modernos em espaços tradicionais, especialmente em obras de arquitetura religiosa de Minas Gerais. O artista, natural de Juiz de Fora, destacou-se tanto pela produção autoral quanto pela aplicação de métodos científicos na preservação de patrimônios históricos brasileiros.
As obras de Motta estão distribuídas por diversas cidades da região do Campo das Vertentes. Em Barbacena, o Hotel Senac Grogotó abriga um esboço de grande porte, doado pelo artista em 1970, que serviu de base para o painel da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha. Na obra, ele retratou a Sagrada Família sob uma estética diferenciada, representando o grupo como viajantes com vestes e calçados simples.
Onde encontrar obras de Edson Motta?
Além de Barbacena, a cidade de Dores do Turvo abriga o que é considerado um conjunto mural expressivo na Igreja de Nossa Senhora das Dores. Segundo o historiador da arte André Colombo, a obra intitulada 'Atualidade' destaca-se pela ousadia ao inserir temas contemporâneos, como os horrores da guerra, dentro de um ambiente de iconografia sacra.
Em São José das Três Ilhas, o artista também realizou uma pintura para o altar-mor da Igreja de São José. Já em Juiz de Fora, uma de suas obras está sob a guarda do Museu Mariano Procópio, embora o artista ainda seja pouco mencionado no município onde nasceu e iniciou seus passos na pintura.
Trajetória e formação técnica
A carreira de Motta foi influenciada pelo convívio com o sobrinho de César Turatti e pelo período de formação no Rio de Janeiro, onde teve contato com as transformações da arte moderna. Sua formação foi ampliada por viagens internacionais, incluindo o México, onde o contato com o muralismo foi essencial para o estilo de suas obras em igrejas.
Como restaurador, Edson Motta utilizou estudos realizados nos Estados Unidos e na Europa para modernizar a conservação de bens históricos no Brasil. Ele trabalhou no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) ao lado de Carlos Drummond de Andrade, contribuindo para a difusão de métodos científicos de conservação.
Essa dedicação ao patrimônio consolidou sua contribuição para a formação de novos profissionais, como Mário Vieira e Sylvio Aragão. O legado de Motta une a sensibilidade artística à rigorosa preservação técnica, impactando a forma como o Brasil trata sua identidade cultural e o barroco mineiro.
