Vila de Itaúnas, no Espírito Santo, é reconhecida como capital mundial do forró pelo festival anual
A vila capixaba abriga o maior festival de forró do mundo e une tradição cultural à preservação de sua paisagem natural.
Por Redação Diário Local
A vila de Itaúnas, situada no extremo norte do Espírito Santo, consolida sua identidade como a capital mundial do forró por meio de seu festival anual. O evento atrai visitantes de diversas partes do país e do exterior, celebrando uma manifestação reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
A celebração do ritmo transcende os palcos tradicionais e se espalha por todo o território da comunidade. O forró ocupa as ruas de areia, estabelecimentos como bares, cafés e padarias, além de praças e áreas de convivência local.
Essa dinâmica transforma o cotidiano da vila, criando bailes improvisados e aproximando pessoas de diferentes origens. Durante os dias de evento, a música integra-se ao ambiente, fazendo com que a vila inteira participe da festividade.
A composição da identidade local
A identidade de Itaúnas é formada pela sobreposição de camadas históricas e culturais que remontam a diferentes tempos. A vila abriga as ruínas de uma antiga ocupação que foi soterrada pelas dunas, que ainda resistem na paisagem.
Além do legado das ruínas, o local mantém vivas tradições como o Ticumbi e os saberes transmitidos pelos moradores. Essas memórias se somam aos milhares de visitantes que, ano após ano, percorrem a região ao som do triângulo, da zabumba e da sanfona.
A integração entre o ambiente natural e a cultura cria uma paisagem única onde natureza e história se encontram. O vento que molda as dunas e a música que ecoa pelas ruas fundem-se à característica geográfica da região.
Dessa forma, o festival deixa de ocupar apenas as ruas para passar a ocupar a própria memória do lugar. A música torna-se parte indissociável da identidade da comunidade e de sua paisagem.
Desafios para a preservação e o futuro
Com o crescimento do turismo e a consolidação do maior festival de forró do mundo, surgem desafios para garantir a manutenção das características da vila. É necessário equilibrar o desenvolvimento cultural com a preservação ambiental e histórica.
O cuidado com os rios e a redução dos impactos do turismo sobre a natureza são pontos centrais para a sustentabilidade do local. A preservação da paisagem é vista como uma extensão necessária do cuidado com a própria cultura.
Outras demandas incluem a ampliação da educação patrimonial e o incentivo a atividades voltadas para o público infantil. O objetivo é permitir que o crescimento acompanhe a proteção do patrimônio existente.
O investimento em acessibilidade e em soluções de desenho universal também é apontado como essencial. Tais medidas buscam garantir que todos os visitantes possam vivenciar a experiência da vila com autonomia.
O desafio para Itaúnas não é transformar a vila, mas permitir que ela mantenha sua essência original. A meta é fazer com que a preservação caminhe junto ao aumento da movimentação gerada pelo festival.
Ao transformar sua paisagem em memória coletiva, a comunidade garante que sua história continue sendo contada. Itaúnas busca unir o desenvolvimento econômico do evento à proteção de seu modo de vida e de seu território.
