Tiago Leifert critica uso de leitura labial como prova e especialista rebate
Jornalista questionou validade de vídeos de leitura labial após caso envolvendo Neymar e Edina Alves; especialista rebateu.
Por Redação Diário Local
O jornalista e apresentador Tiago Leifert criticou, em seu canal no YouTube, o trabalho de profissionais que realizam leituras labiais em vídeos de redes sociais. O apresentador defendeu que esse tipo de conteúdo não deve ser tratado de forma forense, ou seja, como prova técnica em investigações criminais ou processos judiciais.
Durante sua fala, Leifert utilizou como exemplo um vídeo que repercutiu recentemente envolvendo o jogador de futebol Neymar Jr. e a árbitra Edina Alves. Segundo o jornalista, há uma tentativa de utilizar essas interpretações de internet em instâncias como o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
O apresentador classificou a prática como inadequada para o ambiente de tribunais. Ele utilizou o termo "dubladores de internet" para se referir a perfis que realizam esse tipo de análise, sugerindo que o conteúdo pode não ter o rigor necessário para uma investigação séria.
Leifert questionou a precisão técnica de alguns vídeos, mencionando casos em que as análises seriam feitas mesmo com o alvo de costas ou em ângulos desfavoráveis. Para o jornalista, embora o conteúdo possa ser divertido ou engraçado, ele não possui validade científica para fins jurídicos.
A declaração gerou uma reação imediata do especialista em leitura labial Gabriel Velloso. Velloso é o autor do vídeo que analisa a interação entre Neymar Jr. e a árbitra Edina Alves, o caso citado pelo apresentador.
Em manifestação nas redes sociais, o especialista rebateu as críticas de Leifert. Velloso afirmou que tanto o jornalista quanto o jogador Neymar Jr. estariam tentando descredibilizar o seu trabalho perante um público que não conhece a sua formação.
O profissional negou veementemente o rótulo de "dublador de internet". Ele explicou que sua atuação é baseada em estudos de leitura orofacial, uma técnica que vai além da simples observação dos movimentos dos lábios.
Segundo Velloso, o método de análise envolve o estudo da articulação, do ritmo da fala, do sotaque e do contexto da cena. O especialista também destacou a importância de observar o ambiente, o estado emocional da pessoa e a linguagem corporal.
O especialista ressaltou que o processo de análise é complexo e demanda horas de dedicação para ser concluído. Ele defendeu que sua técnica é um estudo detalhado e não uma simples dublagem de movimentos.
Apesar do embate com Leifert, Velloso apresentou um ponto de convergência sobre a aplicação jurídica das análises. O especialista concordou que os vídeos produzidos para as redes sociais não devem ser utilizados como prova no STJD.
Velloso afirmou que não tem a intenção de prejudicar indivíduos com seus conteúdos. Por esse motivo, defendeu que tais vídeos não possuam caráter de prova oficial em instâncias disciplinares ou criminais.
O desentendimento evidencia a discussão sobre os limites entre o entretenimento digital e a perícia técnica. Enquanto o jornalista foca na falta de rigor para fins de justiça, o especialista foca na validade de sua metodologia de estudo.
O caso reforça o debate sobre o impacto de conteúdos de redes sociais em decisões que envolvem figuras públicas e autoridades esportivas. Até o momento, não houve novos desdobramentos sobre o uso de tais vídeos em processos oficiais.
A discussão permanece dividida entre o valor do entretenimento e a necessidade de critérios rigorosos para a aplicação de evidências em tribunais de justiça.
