Corinthians e grupo SAFiel debatem projeto de transformação em sociedade anônima em reunião de 5 horas
Encontro de cinco horas serviu para esclarecer dúvidas jurídicas e financeiras; grupo deve responder questionamentos em uma semana
Por Redação Diário Local
Representantes do Sport Club Corinthians Paulista e o grupo SAFiel realizaram uma reunião de quase cinco horas na última quarta-feira (26) para debater a proposta de transformação do clube em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O encontro, ocorrido no Parque São Jorge, teve como objetivo principal o esclarecimento de dúvidas jurídicas e financeiras sobre o projeto.
De acordo com nota divulgada pela SAFiel, o encontro contou com a participação do Comitê de Acompanhamento da SAFiel (CAS), representado pelos jornalistas Marília Ruiz e Sérgio Rebollo, além do ex-conselheiro Rogério “Bambu” Maldonado. Do lado do Corinthians, estiveram presentes o presidente Osmar Stabile, o vice-presidente Armando Mendonça e o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, entre outros diretores.
Parte dos questionamentos jurídicos foi entregue por escrito durante a conversa, enquanto outros pontos devem ser enviados pela diretoria alvinegra até esta sexta-feira (28). A expectativa é que o grupo SAFiel responda formalmente a todos os pontos levantados no prazo de uma semana.
Além do debate de dúvidas, foram estabelecidos canais de diálogo e cooperação para o compartilhamento de dados técnicos. O objetivo é avançar em estudos sobre a viabilidade de eventuais antecipações de recursos para o clube, permitindo que novos encontros sejam agendados futuramente.
Como funciona a proposta da SAFiel?
O projeto, idealizado por Carlos Teixeira, Maurício Chamati, Eduardo Salusse e Lucas Brasil, prevê a transformação do Corinthians em uma SAF com gestão profissional. No modelo proposto, o departamento de futebol ficaria separado do clube associativo, sendo administrado por executivos contratados ou demitidos com base em metas e capacidade técnica.
A estrutura de governança conteria quatro conselhos: Administrativo, Fiscal, Cultural e de Governança. Para evitar a concentração de poder, o projeto estabelece que nenhum acionista poderá comprar mais de 1,8% das ações. Os integrantes dos conselhos seriam escolhidos pelos próprios acionistas, que teriam a função de fiscalizar a gestão por meio de auditorias externas periódicas.
Para a aquisição das ações, os interessados precisariam comprovar a condição de associado do Parque São Jorge ou a inscrição no programa Fiel Torcedor. O aporte financeiro ocorreria em três frentes: uma reserva popular (limitada a dez ações por torcedor), um varejo para corintianos com maior poder aquisitivo e um grupo de investidores profissionais.
A meta de arrecadação do grupo é de R$ 2,5 bilhões, montante que seria destinado à quitação de dívidas e a investimentos no futebol e na sede social do Corinthians. A proposta já conta com o registro de mais de 104 mil manifestações de apoio, incluindo quase 3 mil associados do clube.
Quais são as perspectivas para o projeto?
Apesar do encontro ter sido descrito como produtivo, o projeto enfrenta desafios para avançar. Avaliações internas indicam que a implementação pode não ocorrer ainda este ano, devido à resistência de uma parcela de conselheiros e associados do Parque São Jorge.
