Ex-São Paulo alerta: Japão não é sorte, é trabalho — Brasil enfrenta rival técnico nos 16avos
Silvinho, que jogou no Albirex Niigata, destaca a qualidade técnica dos japoneses e a cultura de treino rigorosa que não pode ser desmerecida pela Seleção.
Por Diário Local
A Seleção Brasileira já conhece seu próximo adversário na Copa do Mundo 2026. Após vencer a Escócia por 3 a 0 nesta quarta-feira e confirmar a liderança do Grupo C, o Brasil enfrentará o Japão, segundo colocado do Grupo F, nas oitavas de final. A partida ocorre na próxima segunda-feira, às 14h (horário de Brasília), em Houston, nos Estados Unidos.
Silvinho, ex-jogador do São Paulo e atual atacante do Figueirense na Série C do Campeonato Brasileiro, possui experiência valiosa sobre o futebol japonês. O atleta de 35 anos atuou pelo Albirex Niigata entre 2019 e 2020, clube da segunda divisão do Japão, onde participou de 51 jogos, marcou sete gols e ofereceu sete assistências. Para o ex-São Paulo, o Brasil não pode subestimar seu próximo rival.
"Quando eu fui, me surpreendi com a estrutura do clube e com a qualidade e o nível dos atletas. Muitas pessoas pensam que, por ser muito longe, do outro lado do mundo, no Japão, na Ásia, não existe tanta qualidade. Mas nem imaginam a qualidade técnica que eles têm", afirmou Silvinho. O atacante destacou que aproximadamente quatro em cada cinco jogadores japoneses são ambidestros e dominam perfeitamente a bola com os dois pés, resultado de um trabalho técnico diário extremamente rigoroso.
Cultura de treino diferenciada
Durante sua passagem pelo Albirex Niigata, Silvinho experienciou duas realidades distintas. No primeiro ano, encontrou um ambiente com forte presença brasileira, facilitando sua adaptação. Na temporada seguinte, a comissão técnica mudou para espanhola, e o elenco passou a contar com atletas uruguaios, argentinos e espanhóis, além de menos brasileiros.
Silvinho ressalta que a mentalidade japonesa é diferenciada. "Para você ter uma ideia, a cada cinco jogadores, quatro são ambidestros. Batem na bola com perfeição, de direita e de esquerda. Eles trabalham a parte técnica todos os dias. E você vê o que eles estão fazendo na Copa, em outras competições, e isso não é fruto de sorte, não. É muito trabalho", explicou.
A cultura de treino no país impactou diretamente a visão do atleta sobre seu próprio desenvolvimento. "Eles vão fazer um bobinho, por exemplo, e já pensam que é treinamento. Eu já pensava assim antes, então só aumentou ainda mais o meu nível de pressão para me aperfeiçoar naquilo ali. Todos os trabalhos que eles fazem, todos mesmo, em relação à academia e à parte de campo, eles fazem a 100%. Isso já é cultural", comentou Silvinho.
Hajime Moriyasu e a estrutura japonesa
O Japão chega ao mata-mata sob o comando de Hajime Moriyasu, técnico que dirige a seleção desde 2018 e acumula mais de 100 jogos no cargo. Moriyasu foi auxiliar técnico no Albirex Niigata entre 2010 e 2011, quando ainda era da primeira divisão japonesa, mesmo clube onde Silvinho atuaria anos depois.
Em 2019, quando Silvinho estava no Albirex, Moriyasu coordenava tanto a seleção principal quanto o time sub-23 do Japão. Naquele ano, foi vice-campeão da Copa da Ásia e também dirigiu a seleção convidada pela Conmebol para a Copa América. Silvinho observou de perto o respeito que o treinador recebia das instituições.
"Ele conversava muito com o diretor, porque levava outros jogadores para as categorias de base. Então, tinha jogadores do meu time que conseguiam esse contato com ele para serem convocados. Eles respeitam muito", relatou Silvinho, descrevendo como Moriyasu frequentava treinos e jogos para avaliar atletas sem interferir nas operações do clube.
Um rival consolidado no cenário internacional
O Japão confirmou sua classificação ao mata-mata após empatar em 1 a 1 contra a Suécia nesta quinta-feira, ficando atrás da Holanda no Grupo F. A seleção asiática enfrenta o Brasil com um modelo consolidado, atletas espalhados por grandes ligas internacionais e a confiança de quem compete regularmente em alto nível.
Silvinho, que acumula passagens por São Paulo, Ponte Preta, Criciúma, Joinville, Chapecoense, CSA, Mirassol, Operário-PR e times da Áustria e Coreia do Sul, trata o duelo com seriedade. "Acho que vai ser um jogo parelho. Muitas pessoas pensam que, por ser o Japão, pode ser um jogo fácil, mas de maneira alguma. Você está vendo o que está acontecendo na Copa do Mundo. Muitas pessoas pensam que é sorte, mas realmente não é. Hoje, todos os jogadores atuam em ligas boas", avaliou.
Para o atacante, o Brasil enfrenta um desafio real. "Com certeza vai ser um jogo dificílimo para o Brasil. Você vê na seleção deles, jogadores que disputam grandes ligas. É óbvio que, se for esse confronto, espero que o Brasil passe. A gente torce para que tudo dê certo, mas não vai ser jogo fácil, não", finalizou Silvinho.
