Empresário Lamacchia se compromete a antecipar pagamentos da recuperação judicial do Vasco
Proposta de Bruno Lamacchia visa garantir recursos para obrigações do clube nos próximos dois anos e reduzir pressão no caixa da SAF.
Por Redação Diário Local
O empresário Bruno Duarte Marcos Lamacchia assumiu o compromisso de garantir e antecipar os recursos necessários para o pagamento das obrigações da Recuperação Judicial do Vasco. A proposta visa antecipar valores que, pelo cronograma atual do processo, deveriam ser pagos apenas ao longo dos próximos dois anos.
O compromisso foi apresentado durante uma reunião realizada nesta quinta-feira (21) com representantes do Vasco, da Administração Judicial, do watchdog e do gatekeeper. Também participou da conversa a Almirante Participações, empresa ligada a Lamacchia. O encontro tratou da situação financeira da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), do novo financiamento DIP e da venda da UPI Equity.
A medida de antecipação busca reduzir a pressão sobre o caixa do clube e oferecer maior segurança para o cumprimento das obrigações previstas no plano de recuperação. Com o novo formato, os credores poderiam receber de imediato montantes que seriam quitados gradualmente nos próximos dois anos.
A necessidade de novos recursos ganha urgência devido ao cenário financeiro da SAF. O Vasco argumenta na Justiça que os valores disponíveis para a operação da unidade estão próximos do esgotamento. Para sustentar as atividades até a conclusão da venda da UPI Equity, o clube conta com o novo financiamento DIP, que pode chegar a R$ 150 milhões.
O impasse sobre a liberação de recursos tem gerado críticas. Henrique Fragoso, advogado que representa 53 credores no processo de recuperação, afirmou que a trava no empréstimo é prejudicial. A indefinição sobre o fluxo de caixa dificulta inclusive a sondagem de novos jogadores no mercado de transferências.
A proposta de Lamacchia está diretamente atrelada ao processo de alienação da UPI Equity. A Almirante Participações apresentou uma proposta vinculante que servirá como referência inicial, modelo conhecido no mercado como "stalking horse".
Na prática, essa proposta funciona como um piso para o processo competitivo. Outros investidores poderão entrar na disputa e apresentar ofertas superiores à da Almirante, seguindo as regras de alienação estabelecidas para a unidade de negócios do clube.
A antecipação dos pagamentos deve ser apresentada à Justiça como uma forma de reforçar a segurança dos credores. A gestão do fluxo de caixa é tratada como ponto central para garantir que a atividade da empresa em recuperação seja preservada durante o processo judicial.
