Diário Local
Recuperação Judicial

Briga familiar por controle de holding é citada em pedido de recuperação judicial da Marabraz

Controladores da varejista alegam que perda de acesso a ativos da família dificultou crédito; holding nega relação com a dívida.

Por Redação Diário Local

O pedido de recuperação judicial da Marabraz aponta uma disputa familiar como um dos fatores que contribuíram para a dívida de R$ 140 milhões da varejista. No documento enviado à Justiça, os atuais controladores da empresa alegam que passaram a ter dificuldades para obter crédito após perderem o acesso à LP Administradora de Bens, holding que gere os imóveis da família.

A controvérsia envolve duas gerações da família Nasser, descendentes do fundador da varejista. Segundo os irmãos Nasser e Jamel Fares, atuais controladores da Marabraz, a transferência de cotas da holding para os netos do fundador, ocorrida em 2011, teria sido uma "operação simulada" para blindar o patrimônio familiar contra dívidas da empresa.

Por outro lado, os herdeiros — que incluem o noivo da atriz Marina Ruy Barbosa — argumentam que a transferência de cotas foi legítima. Eles sustentam que a ação judicial para anular o negócio foi motivada por desavenças familiares e não por irregularidades financeiras.

De acordo com os advogados da Marabraz, a perda do controle da holding impactou as operações da varejista. Eles afirmam que, sem o uso dos imóveis da família como garantia, as instituições financeiras passaram a exigir novas garantias, reduziram limites de crédito e elevaram o custo das operações, comprometendo o capital de giro.

O que diz a holding familiar?

A LP Administradora de Bens, controlada pelos netos do fundador, afirmou em comunicado que a sociedade é inteiramente distinta da Marabraz. A holding ressaltou que possui administração, sócios e patrimônio independentes, negando qualquer vínculo entre os imóveis sob sua gestão e as operações financeiras da varejista.

A administradora reforçou que a autonomia da LP foi reconhecida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) em uma decisão unânime. Na ocasião, cinco desembargadores validaram a legalidade do negócio jurídico realizado em 2011, rechaçando a tentativa dos sócios da Marabraz de retomarem o controle da empresa.

No comunicado, a holding declarou que o pedido de recuperação judicial da Marabraz é resultado de medidas tomadas por sua própria administração, somadas ao cenário macroeconômico do setor varejista. A empresa afirmou ainda que os atuais sócios da Marabraz possuem patrimônio pessoal suficiente para cobrir a dívida da companhia.

A LP Administradora de Bens concluiu que permanece focada na gestão de seus ativos e na continuidade de suas operações, classificando como "frágeis" as tentativas de atribuir à holding a responsabilidade pela crise financeira atravessada pela varejista.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.