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Economia

Polícia Federal investiga se Casas Bahia alterou dados para reduzir bônus de gerentes

Investigação apura se a varejista omitiu juros de vendas parceladas em relatórios de metas para diminuir premiações.

Por Redação Diário Local

A Polícia Federal (PF) investiga uma possível manipulação de dados financeiros na Casas Bahia. A apuração busca identificar se a varejista alterou relatórios de desempenho para reduzir ou evitar o pagamento de bônus e premiações devidos a gerentes de lojas.

O foco da investigação é o sistema de metas da companhia, que utiliza o faturamento das unidades como base para o cálculo da remuneração variável dos funcionários. Elementos da investigação indicam que a empresa pode ter omitido os juros de vendas parceladas nos relatórios, contabilizando apenas o valor à vista dos produtos.

Segundo os investigadores, a apuração deve analisar se a infraestrutura tecnológica da própria companhia foi utilizada para produzir números que não refletem integralmente o faturamento das vendas. Entre os sistemas internos que estão sob análise estão o PRWEB e o Looqbox, ferramentas de acompanhamento de metas de produtos, serviços e crédito.

Como funcionaria a suspeita de fraude?

A suspeita é que a exclusão de juros e encargos das vendas parceladas dos relatórios de faturamento das lojas tenha reduzido a base utilizada para calcular os bônus pagos aos gerentes. A Polícia Federal já reuniu documentos que podem auxiliar no processo.

Há relatos de gerentes que afirmam não ter recebido as premiações integralmente. Ao questionarem a empresa, teriam sido informados de que os juros cobrados nos carnês pertenciam a bancos parceiros. Contudo, a Polícia Federal dispõe de ofícios do Banco Central e do Bradesco que contradizem essa versão.

De acordo com a investigação, os documentos indicam que a própria Casas Bahia seria a responsável pelas operações de crédito, e que a parceria com o banco não abrangeria o crediário feito por carnê. A PF apura se a prática teve alcance nacional, visto que os sistemas são usados por lojas em diferentes regiões.

Contexto de recuperação judicial

A investigação ocorre em meio ao processo de reestruturação da varejista. A companhia apresentou pedido de recuperação judicial ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) no último domingo (16).

O plano de reestruturação prevê o fechamento de 298 lojas e demissões de funcionários. Atualmente, a empresa tenta renegociar dívidas estimadas em R$ 17,3 bilhões e conta com proteção temporária contra credores enquanto aguarda a análise do pedido judicial.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.