Repórter que usa cadeira de rodas ganha destaque na Copa do Mundo de 2026
O jornalista venezuelano Manu Gutiérrez chama atenção de astros do futebol e busca abrir espaço para profissionais com deficiência.
Por Diário Local
O jornalista venezuelano Manu Gutiérrez, que utiliza cadeira de rodas, tornou-se destaque na cobertura da Copa do Mundo de 2026 ao atrair a atenção de astros do futebol mundial. O repórter tem conseguido entrevistas com jogadores como Lionel Messi e Jude Bellingham, que frequentemente respondem aos seus questionamentos de forma direta e fora dos protocolos habituais de imprensa.
Aos 30 anos, Gutiérrez relata que sua trajetória é marcada por superações. Nascido com uma paralisia motora que o impede de andar, ele encontrou no microfone a forma de se aproximar do esporte que sempre amou. Após enfrentar dificuldades para ingressar em veículos de comunicação tradicionais, o profissional fundou seu próprio canal, o MVP Sports, em 2023.
A carreira do repórter começou cedo, aos 15 anos, como produtor de uma rádio esportiva em Punto Fijo, na Venezuela. Há 10 anos, ele reside nos Estados Unidos, onde realizou seus estudos de comunicação social de forma à distância. Durante a graduação, o jornalista enfrentou obstáculos causados pela situação instável de seu país de origem, como quedas de energia que prejudicavam a entrega de tarefas acadêmicas.
O reconhecimento internacional de sua cobertura ganhou força em momentos específicos do torneio. Em 10 de junho, Messi teria notado a presença de Gutiérrez ao atender fãs na porta do hotel da Argentina, cumprimentando o jornalista e respondendo a duas perguntas. Outro momento marcante foi a entrevista com Jude Bellingham, que parou para falar com o repórter após ouvir menções à Venezuela.
O apoio da família e da Fifa
Para viabilizar a cobertura, Manu conta com o apoio constante de seu pai, Jesus Gutiérrez, que atua como seu cinegrafista na Copa do Mundo. Além de captar as imagens, Jesus desempenha funções de suporte logístico para o filho. O jornalista descreve a presença do pai como o maior presente da cobertura profissional.
A rotina de trabalho envolve um esforço físico intenso. Segundo o repórter, as jornadas de cobertura podem chegar a 12 horas diárias, o que exige muito de sua condição física devido à rigidez muscular causada pela paralisia. Para auxiliar na logística, a Fifa tem disponibilizado voluntários para checar a acessibilidade necessária em diversos locais.
A entidade também tem permitido que o jornalista utilize espaços mais amplos e vazios durante as zonas mistas de entrevistas. Esse suporte tem sido fundamental para que ele consiga realizar o trabalho de campo em ambientes de grande circulação de atletas e outros profissionais de imprensa.
Legado de inclusão no esporte
Além do sucesso de audiência nas redes sociais, Gutiérrez busca deixar um legado de representatividade. O jornalista acredita que sua atuação na Copa do Mundo pode abrir precedentes e criar novas oportunidades para outros profissionais de imprensa que possuam algum tipo de deficiência.
O objetivo é demonstrar que há espaço para a diversidade nos grandes eventos esportivos mundiais. Para Manu, a visibilidade dada ao seu caso ajuda a mostrar que a acessibilidade e a inclusão são caminhos necessários para o futuro do jornalismo esportivo.
