Transfer ban vira rotina no Brasil e expõe descontrole financeiro em clubes, alerta especialista
Especialista aponta que recorrência de punições da Fifa revela problemas de gestão e governança em equipes nacionais
Por Redação Diário Local
A aplicação da sanção de transfer ban, que impede clubes de registrarem novos jogadores, tornou-se recorrente no futebol brasileiro e sinaliza problemas estruturais de gestão. Atualmente, 11 clubes no país possuem punições ativas da Fifa.
O Santos lidera a lista com quatro bloqueios. A equipe chegou a acumular sete punições, mas quitou três dívidas nesta terça-feira (13). Na sequência, Corinthians, Fortaleza e Internacional possuem dois casos cada.
Outras equipes com uma punição ativa são São Paulo, Grêmio, Colorado Atlético Clube-PR, Figueirense, Miramar-PB, Amazonas e Cuiabá.
O que é o transfer ban?
O transfer ban é uma medida que restringe a capacidade do clube de inscrever novos atletas em competições por um período determinado ou até que a pendência financeira seja resolvida. A punição ocorre em casos de inadimplência em decisões da Fifa ou da CBF, descumprimento de contratos ou violações de regras de transferências.
Apesar da restrição, o clube pode seguir com a renovação de contratos de jogadores que já integram o elenco ou reintegrar atletas que estavam sob regime de empréstimo.
Gestão e governança no Brasil
Para o advogado especializado em direito esportivo, Andrei Kampff, a recorrência das sanções reflete um modelo de gestão onde o foco em resultados imediatos sobrepõe-se ao planejamento financeiro. Segundo o especialista, os clubes assumem compromissos sem garantir a capacidade de pagamento, antecipando receitas e deixando dívidas para as próximas administrações.
Kampff ressalta que, embora a medida pressione o cumprimento de obrigações, ela não garante o recebimento imediato pelos credores. A sanção pode ser tratada por alguns devedores apenas como um inconveniente temporário, resolvido apenas no momento da necessidade de registro de novos atletas.
O especialista alerta que, se a punição passar a ser normalizada pelos clubes, ela perde sua função coercitiva, o que pode exigir sanções esportivas mais severas, como a perda de pontos.
Comparação com o cenário europeu
O panorama brasileiro diverge do observado nas principais ligas do futebol mundial. Em países como Inglaterra e Alemanha, não há clubes com transfer ban ativo no momento. Na Itália, França e Espanha, existem equipes punidas, mas todas estão fora da primeira divisão de seus respectivos países.
No Brasil, o impacto atinge diretamente o nível principal do futebol nacional, com cinco integrantes da Série A — Santos, Corinthians, São Paulo, Internacional e Grêmio — sob restrição de registro.
