Diário Local
Estados Unidos

Famílias de vítimas do nesta sexta-feira (11) temem que parentes morram antes de julgamento dos acusados

Parentes de vítimas dos atentados de 2001 temem não viver para ver o julgamento de Khalid Sheikh Mohammed em 2028.

Por Redação Diário Local

As famílias das vítimas dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, temem que o tempo para a realização da justiça esteja se esgotando. O receio principal é que parentes das vítimas morram antes de presenciar o julgamento de Khalid Sheikh Mohammed, apontado como o mentor dos ataques, que tem data prevista para junho de 2028.

O processo ocorre na base naval de Guantánamo, no sudeste de Cuba, onde os acusados permanecem detidos há 20 anos sem qualquer condenação. O caso é marcado por uma longa série de audiências preliminares e manobras jurídicas que já passaram pela presidência de cinco juízes militares diferentes.

John Resta, que perdeu o irmão Tom nos ataques ao World Trade Center, relatou que o processo é árduo e tedioso. Ele afirmou que teme que seus pais, que já estão em idade avançada, não vivam o suficiente para acompanhar o desfecho do caso em 2028. O sobrevivente descreveu que o impacto dos atentados permanece em sua mente de forma quase constante, mesmo após um quarto de século.

Por que o julgamento sofre atrasos?

Um dos maiores obstáculos para o andamento do caso é a discussão jurídica sobre a validade de provas obtidas através de métodos de interrogatório que foram classificados como abusos físicos e mentais. Recentemente, um juiz militar desconsiderou confissões feitas por Mohammed, determinando que elas não poderiam ser usadas no tribunal por não terem sido voluntárias.

A decisão baseou-se no fato de que o tratamento dado ao suspeito pela CIA em prisões secretas constituiu um "extraordinário abuso físico e mental". Especialistas apontam que o uso de técnicas como o afogamento simulado (waterboarding) e posições de estresse contra os acusados é a principal causa dos prolongados atrasos deste caso.

A invalidação dessas confissões pode ter retirado da promotoria provas consideradas sólidas. Agora, a equipe de acusação precisa depender de outros recursos, como interceptações telefônicas e gravações secretas, que também podem ser contestadas pela defesa em novas moções judiciais.

O histórico dessas práticas de interrogatório remonta ao governo de George W. Bush (2001-2009), que utilizou o que chamou de "técnicas de interrogatório aprimoradas". Embora o governo de Barack Obama (2009-2017) tenha proibido a prática, os desdobramentos legais dessas ações ainda impactam o processo atual.

O impacto na vida dos familiares

Para os parentes das quase 3 mil vítimas, a demora é uma fonte de angústia e sentimento de injustiça. Stephan Gerhardt, que perdeu o irmão Ralph nos ataques, expressou a preocupação de que os acusados morram sem serem condenados. Ele afirmou que a aplicação de métodos de tortura no passado criou obstáculos que dificultam o que seria um processo de condenação muito mais simples.

Gerhardt destacou que, se os métodos de interrogatório não tivessem sido utilizados, as implicações legais teriam sido mais diretas e os acusados poderiam ter sido sentenciados há muito tempo. Para os familiares, o direito à justiça permanece travado pelas consequências das ações governamentais do passado.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.