Crise migratória em Ceuta mobiliza Espanha e gera tensão na União Europeia
Mais de 60 mil marroquinos entraram em Ceuta em menos de 24 horas; Itália suspende acordo de livre circulação com a Espanha.
Por Redação Diário Local
A cidade espanhola de Ceuta enfrenta uma crise migratória após a entrada de mais de 60 mil marroquinos em um intervalo de menos de 24 horas. O fluxo massivo de pessoas gerou instabilidade política na União Europeia e provoca debates sobre a segurança do Espaço Schengen.
Embora pertença à Espanha, Ceuta é um enclave localizado geograficamente no norte do continente africano. A cidade faz fronteira com o Marrocos e, por ser território espanhol, seus cidadãos possuem passaporte europeu e direito à livre circulação pelo bloco.
A movimentação de migrantes provocou reações imediatas de governos europeus. Nesta sexta-feira (31), a Itália suspendeu o acordo de livre circulação entre o país e a Espanha. Na Dinamarca, a primeira-ministra Mette Frederiksen defendeu que a União Europeia avalie a suspensão da Espanha do Espaço Schengen.
Em comunicado, a premiê dinamarquesa afirmou que a imigração descontrolada representa uma ameaça para a Europa e para a Dinamarca. O episódio também elevou a preocupação de outros membros da União Europeia devido ao risco de circulação desordenada pelo continente.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou nesta sexta-feira (31) que a integridade do Espaço Schengen está garantida. Segundo o ministro, não é possível se deslocar de Ceuta para a Península Ibérica sem passar por um posto de controle policial para identificação.
Albares informou ainda que praticamente todos os que entraram em Ceuta retornaram voluntariamente ao Marrocos. O Comissário da União Europeia para Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, reforçou que nenhuma pessoa cruzou de Ceuta para o continente da União Europeia.
As autoridades espanholas atribuem o aumento do fluxo a uma decisão do Supremo Tribunal da Espanha. A Justiça determinou que pessoas interceptadas no mar ao tentarem entrar em Ceuta ou em Melilla não podem ser devolvidas de forma sumária sob regras especiais.
Contexto histórico da região
Ceuta e Melilla são cidades autônomas espanholas e heranças do domínio europeu na África. Ceuta foi conquistada por Portugal em 1415 e passou ao domínio espanhol durante a União Ibérica, período entre 1580 e 1640, permanecendo sob controle de Madri após acordos com Portugal.
O Marrocos reivindica o controle das duas cidades como parte de seu território desde que conquistou a independência, em 1956. Geograficamente, Ceuta está situada a apenas 14 km das águas do Estreito de Gibraltar, ponto de conexão com a Península Ibérica.
